Produção de cogumelos no interior de São Paulo tem 50% de quebra

Seca não permite desenvolvimento ideal do fungoO cogumelo depende da umidade do ar para se desenvolver. Com a estiagem, a produção tem diminuído em São Paulo, já que o tempo seco desidrata o fungo. A quebra já chega a 50% no interior do Estado.

O termômetro colocado dentro da estufa monitora a umidade do ar, que deve girar em torno de 80%, para produzir um cogumelo de boa qualidade. Em Valinhos (SP), os números não alcançam esta marca há bastante tempo e a produção despencou.

– O cogumelo fica ressecado, com um aspecto bastante feio e perde o valor de mercado. Um cogumelo ressecado tem que ser descartado – explica o engenheiro agrônomo Henrique Conti.

Para driblar a seca, o produtor Oscar Mitio comprou um nebulizador. O equipamento umedece o local de cultivo de hora em hora. A estufa, feita em uma estrutura de alvenaria e não de plástico, como é de costume, também mantém a temperatura mais amena.

– Como nós somos pequenos produtores e como nós já tínhamos feito um estudo sobre essa parte da produção do cogumelo, a gente invibializou fazer uma estufa de imediato, pelo custo. Foi reaproveitado, a gente aproveitou o espaço que tinha, readaptado dentro pra produção do cogumelo – conta Mitio.

Os cogumelos do tipo shimeji são produzidos o ano inteiro e vendidos por R$ 17 o quilo, na região de Campinas. Acima da média nacional, que é de R$ 13. O produtor compra as sementes e um composto feito de capim e bagaço de cana, onde vão brotar os fungos. O processo é rápido, justamente por isso ele tem conseguido equilibrar as contas.

– Ele vale a pena, porque hoje é uma cultura rápida na produtividade. Em 20 ou 25 dias, no máximo, você está produzindo. Então, o retorno você vai conseguir amortizar em pouco tempo – diz o produtor.

Com a seca, a produção de Mitio caiu 50% nos últimos três meses, em comparação com o mesmo período do ano passado. Apesar disso, a demanda não diminuiu. Por não haver muitos produtores na região, a câmara onde ficam armazenados os cogumelos está quase sempre com estoque baixo. O produto é embalado e comercializado todos os dias. E, em tempos de seca, falta produto para atender todo mundo. Para o engenheiro, esse ainda é um cultivo que deve se expandir.

– A produção de cogumelo ocupa pouca área em uma região como a nossa, com pequenos agricultores, áreas pequenas, proximidade de centros consumidores. É uma boa opção, uma boa alternativa para o agricultor – diz Conti.

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