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– Não são fatalidades. É uma coisa anunciada, já estava previsto. Estávamos avisando o ministro [secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho] que iria acontecer. Estamos à mercê de uma catástrofe e nossos governantes estão dormindo, não sei o que estão fazendo. Pessoas idosas foram fortemente espancadas – disse ao programa Mercado e Companhia, do Canal Rural.
Na noite de domingo, dia 14, cem índios kaigang invadiram uma propriedade de 2,5 hectares em Sananduva. Segundo Palagio, os índios estavam armados e começaram a atirar nos produtores, que estavam há pelo menos dois quilômetros do local da invasão. Um dos produtores feridos no confronto foi encaminhado a Passo Fundo em estado grave.
Depois de acordo, os índios deixaram a propriedade e voltaram para Cacique Doble no período da tarde. O proprietário Ademar Benetti critica a atuação da Fundação Nacional do Índio (Funai) e de ONGs internacionais que influenciam as ocupações indígenas. Ele informou que representantes dos produtores se reuniriam com o governador do Estado, Tarso Genro, na tarde de segunda.
– Os agricultores precisam trabalhar. Esse povo está há oito dias sem dormir, sem sair da comunidade e sem solução proposta pelo governo do Estado. Queremos que o governo nos ajude a achar um caminho.
No final de maio, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman, suspendeu a demarcação de terras indígenas no Rio Grande do Sul até que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Ministério da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário desenvolvessem novos estudos técnicos das terras.
Em 2005, a Funai iniciou o estudo preliminar da área em Sananduva e Cacique Doble. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, declarou a área como terra indígena em 2011. No entanto, como em grande parte dos conflitos por disputas de terras no Brasil, os produtores rurais possuem documentos que afiram a legalidade das terras, e lutam pelas áreas na Justiça.
De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o Rio Grande do Sul é um dos Estados que apresenta o maior número de áreas indígenas sujeitas a conflito no país. O relatório demonstra que 17 dos 96 territórios classificados como em situação de risco ou conflito estão localizados no Estado.