Em São Paulo, na cidade de São Bento do Sapucaí, que faz divisa com Minas Gerais, a castanha que mais se adaptou ao clima da região não foi a portuguesa, mas sim a castanha asiática.
– Na década de 1960 é que foi introduzida esta castanha asiática que se adaptou bem. Ela é resistente a algumas doenças e adaptada à região mais quente. A grande vantagem é que produz no final do ano, quando ocorre maior consumo aqui no Brasil – diz Silvana Bueno, pesquisadora da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) de São Paulo.
O avô do produtor rural Cauê Moura foi o primeiro no país a produzir o fruto comercialmente. Anos mais tarde foi a vez de Moura. Trocou o emprego num escritório em São Paulo para se dedicar exclusivamente ao cultivo. E é fácil entender por quê. Em 2007, o Brasil produzia apenas 5% do que consumia. Hoje o porcentual de produção ainda não é o ideal, mas já dobrou.
– Ainda há uma cultura de que a castanha importada tem um sabor diferente. É o mesmo cultivo, o mesmo fruto. A importada tem um tempo de descanso um pouco maior. Enquanto eles vendem uma castanha com dois meses de descanso, a gente vende uma castanha colhida de manhã e a tarde já esta na mesa do consumidor – diz Moura.
A produção deu tão certo na região que a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral de São Bento do Sapucaí tem um campo experimental voltado para pesquisa. São quatro hectares com produção de mudas, poda, plantio, adubação e pesquisa genética, além de novas tecnologias.
– A castanha só pode ser colhida quando cai do pé. No solo, está sujeita a contaminação por meio de fungos. Por isso, a experiência com estas telas. Aqui o fruto fica protegido, resiste mais tempo e com uma qualidade melhor – fala o produtor rural Rodrigo Ismael.
Rodrigo Ismael também apostou na pesquisa para diversificar. 60% cento da produção de castanha é utilizada como ração para criação de cordeiros e suínos.
– É extremamente energético, ela tem um valor por hectare que é um dos mais conhecidos no meio vegetal. Extremamente energético, dá ganho de peso e um sabor para os animais que vão ser abatidos – diz Ismael.
Mas a grande novidade da produção deve chegar ao mercado no ano que vem.
– Além do consumo in natura que se vende no mercado, estamos usando também a cerveja de castanha portuguesa. Iniciando um processo de maltagem da castanha para fabricação de cervejas artesanais. Nós temos lúpulo da própria castanha. Se tudo der certo o espaço da castanha importada vai diminuir daqui para frente. Elas que se cuidem – completa Ismael.