– Isso dá animação da gente a trabalhar mais. A gente trabalha com lucro, tem vantagem – conta Sérgio Roman.
A valorização do preço da erva mate em 2013 foi consequência de uma quebra de safra, causada por problemas climáticos no ano anterior. O clima seco seguido de geada reduziu a produtividade. Quem conseguiu colher teve uma das melhores remunerações da história na cultura. Um aumento de mais de 400%.
De acordo com o secretário de agricultura de Ilópolis, Clovis Roman, o cultivo da erva mate representa 40% da economia local. São R$ 2 milhões ao ano, em retorno de ICMS. Cerca de 99% da população, de 4.100 mil habitantes, se dedica à atividade. Ele diz que em 2013 a renda aumentou e melhorou a vida da maioria das pessoas.
– Se percebe já as pessoas gastando mais e conseguindo ter bens, e assim, se estruturando enquanto família também. As pessoas veem a cultura da erva-mate como uma alternativa de renda muito boa – conta Roman.
Quem sentiu o impacto foi a indústria, que pagou mais caro pela escassa matéria-prima. E os custos não puderam ser repassados ao varejo, segundo o diretor técnico do Instituto Brasileiro da Erva Mate (Ibramate), Roberto Ferron.
– O preço se elevou junto ao produtor, chegamos a R$ 30 a arroba, que e um preço excepcional, mas em compensação a indústria não conseguiu repassar isso ao varejista, ao supermercado, porque o consumidor também sinalizou que não paga mais que R$ 10 a R$ 15 o quilo da erva-mate. Isso colocou muitas indústrias em dificuldade, agora com a retomada da produção e a partir de setembro com as chuvas. A produtividade aumentou em 50%, isso fez normalizar a oferta de matéria-prima – conta Ferron.
O desafio do setor é barrar a ação de produtores rurais que atuam na informalidade e que dificultam a organização.
– Tem toda uma tributação, impostos e a informalidade e muito grande, nós não temos dados na mão, não temos o número, a quantidade de hectares realmente efetiva no Rio Grande do Sul. Sabemos que vai haver um grande plantio ano que vem em torno de 15 a 20 milhões de mudas que vão para o campo e isso daqui quatro ou cinco anos entra em produção e se tiver uma oferta maior que a demanda o preço vai cair e poderemos ter outra crise – diz Ferron.
Em 2014 o setor projeta mais crescimento, e a produção deve ser superior as 53 mil toneladas colhidas em 2012.
– Eu diria que, se esse clima se mantiver, o preparo do solo, manejo adequado que o produtor está fazendo a safra poderá até dobrar compensar tudo aquilo que foi arrancado e aquilo que se abandonou nos ervais , então nós poderemos ter no ano que vem uma super safra de erva-mate – conclui Ferron.
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