Produtores devem se prevenir para evitar perdas com o clima, dizem especialistas

Fenômenos climáticos extremos têm se tornado cada vez mais intensos segundo meteorologistasOs produtores precisam investir mais em prevenção para evitar prejuízos causados pelas mudanças climáticas, afirmam especialistas. Os meteorologistas afirmam que nos últimos 20 anos a tendência têm sido os fenômenos climáticos extremos se tornarem cada vez mais intensos.

– Percebemos que quando um período de estiagem acontece, é muito severo e persistente. Da mesma forma as chuvas. Isso é uma consequência das mudanças climáticas. Vemos toda uma alteração do solo, a urbanização. A mudança no regime de um rio, deslocamento na nascente, a alteração do relevo e da vegetação estão impactando localmente no clima e isso vai se somando e acaba gerando uma mudança global – aponta a meteorologista Estael Sias.

De acordo com a meteorologista, mesmo em condições normais de clima e chuva, já seria necessário que os produtores rurais se prevenissem. Com as mudanças climáticas a necessidade de prevenção é ainda maior.

– A vulnerabilidade das culturas fica muito maior. Então tem que haver uma preparação, principalmente no aspecto de reservar a chuva, porque quando vem um período seco ele pode ser prolongado. É o que estamos vivendo neste verão, as chuvas na primavera não foram suficientes, e o déficit, principalmente no Rio Grande do Sul foi de 200 a 400 milímetros. O conselho que damos é que haja uma preparação para as próximas safras porque percebemos que em anos de La Niña, como estamos tendo agora em 2012, há essa intervenção no clima – relata Estael.

Dados levantados pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), nesta quinta, dia 12, mostram que o impacto nas lavouras de grãos de verão no Estado gaúcho é maior na cultura do milho. A redução chega a 37,56% na produção total.

Um estudo feito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), observou as variações da produção do milho de 1993 a 2003. A análise comprovou que em anos de estiagem, a falta de irrigação resulta na perda de até duas safras, mesmo com o uso de toda a tecnologia.

– Uma sequência de trabalhos de campo verificou que não havendo déficit hídrico se obtém em torno de 10 toneladas por hectare. Sabemos que com alta tecnologia é possível até se obter mais do que isso. Com impacto das estiagens ora curta, ora longa, essa produtividade reduz pra seis toneladas por hectare, mesmo aplicando-se toda tecnologia disponível. Isso significa que de cada cinco safras, nós estamos perdendo duas safras de milho – explica o agrometeorologista da UFRGS, Homero Bergamaschi.

O especialista defende que a irrigação usada com consciência e a rotação de culturas são fundamentais para a cultura do milho.

– Tem que ser dimensionado e muito bem monitorado quando e quanto irrigar. Isso para que uso da água seja racional e não haja desperdício. O RS vai ter que progressivamente aumentar a sua área de milho irrigado, nem que tenha que reduzir a área de cultivo da soja. É uma cultura mais garantida, que movimenta uma grande cadeia produtiva e que beneficia a outra cultura parceira que é a soja – ressalta.  
De acordo com o agrometeorologista, as próximas ocorrências de chuva não poderão recuperar o que já foi perdido.