No mercado mundial, o investimento em tecnologia dita o ritmo da disputa entre os fabricantes. O gerente de informação e produto da empresa, Martin Wakely, explica as vantagens da nova geração de câmbios de marcha agora com a tecnologia chamada Transmissão de Variação Continua (CVT).
– Em especial na Europa, os produtores queriam as vantagens de uma CVT, que pudesse alcançar a velocidade de avanç com a velocidade do motor correta. Alem disso, também desejavam a possibilidade de transporte em países como Alemanha e França, onde se pode atingir a velocidade de 50km/h com uma baixa rotação do motor, o que é muito mais fácil com uma transmissão CVT. Para muitos produtores europeus, as aplicações no transporte e a economia de ter uma baixa rotação do motor com uma alta velocidade de avanço eram vantagens bastante consideráveis, bem como as vantagens no campo – salienta.
A tecnologia para o câmbio de tratores é disputada no mercado pela mudança na rotina de trabalho dos produtores. Na Europa está acontecendo a chamada reagregação de propriedades, as pequenas que juntas formam um mosaico de lavouras. O produtor planta em varias áreas em fazendas distantes, o trator precisa ter esta capacidade de mudar a velocidade, manter a potência com economia, no país as máquinas estão rodando 70% na lavoura e 30% no asfalto.
– O perfil do produtor na França: uma fazenda de tamanho médio. Imagino que entre 100 e 150 hectares. E um perfil bem orientado na tecnologia, ele precisa ter uma ferramenta de trabalho que otimize o tempo, que tenha eficiência na lavoura e baixo consumo de combustível, além de baixo custo de produtividade. Ele precisa viajar pela rodovia e para isso, precisa ter um trator desenhado e adaptado que possa trabalhar na lavoura e transitar pelo asfalto – destaca o diretor de marketing da AGCO, Alfredo Jobke.
As tecnologias vão sendo implementadas nos tratores de acordo com o perfil cada vez mais diversificado dos produtores em todo o mundo. Segundo Alain Chiffard, Manager Business Development Massey Ferguson Eastern Europe & LCR, o câmbio nunca foi tão importante na história das máquinas agrícolas.
– Há, por exemplo, o modo pedal no trator – que é fantástico porque o produtor não precisa se preocupar com marchas ou com as marchas corretas para evitar o consumo desnecessário de combustível: ele só pressiona o pedal e o trator segue por conta própria. Em segundo lugar, na Europa há muitos prestadores de serviço e eles fazem uma grande diversidade de trabalhos em uma porção de lugares e precisam, então, de um trator que trabalhe extremamente bem no campo, mas que também se mostre potente quando eles precisam ir à próxima propriedade e reiniciar o trabalho. É uma tendência que vai se manter – destaca.
De acordo com o vice-presidente de Marketing, Pós Venda, Gestão de Produtos e Desenvolvimento de Concessionárias AGCO América do Sul, Bernhard Kiep, com plataforma das máquinas cada vez mais globalizada, as diferenças no uso e no tipo de tecnologia estão nas questões climáticas se compararmos os países da Europa com o Brasil.
– O que eles querem do maquinário está se juntando muito, antigamente existiam as diferenças maiores, hoje, a necessidade que esses agricultores tem é praticamente a mesma. Então, de um lado está ficando mais facil para nós fabricantes atender esta demanda. De outro lado as condições climáticas e a robustez necessária do produto precisa ser ajustada, nós temos o fator de pegar o equipamento e deixar tropical para as necessidades brasileiras – diz.