– O interesse, a necessidade e a tecnologia existem. Os técnicos que trabalham com assistência técnica e extensão rural estão treinados. O que falta para que possamos aplicar os cinco bilhões e abrir demanda para mais recursos é a desburocratização – afirma José Alberto Pires, engenheiro agrônomo da Emater-MG.
Novas linhas de crédito foram criadas para estimular a produção sustentável e evitar o desmatamento, mas esbarraram na burocracia, que resulta na dificuldade de acesso aos recursos. De cada 50 projetos que entram no banco, apenas cinco conseguem os recursos.
– Uma porcentagem muito pequena dos projetos está sendo contratada – comenta o pesquisador Ramon Costa Alvarenga, doutor em manejo e conservação de solos.
Os técnicos defendem a criação de um projeto-padrão nacional para ser apresentado aos bancos a fim de agilizar o processo.
– Se todo o profissional que quisesse fazer o projeto na linha do plano ABC tivesse um padrão para ele seguir, além de um padrão de análise pelo banco, agilizaria muito a aprovação e a liberação dos recursos – comenta Walfrido Machado Albernaz, agrônomo da Epamig.
Modelo de produção sustentável
Usar a mesma área intensivamente com tecnologia que não deixa o solo degradar e recuperar onde existe degradação. É assim que funciona o sistema Agrosilvopastoril, mais conhecido como sistema iLPF, ou de integração Lavoura-Pecuária-Floresta. Vale deixar claro que, no sistema, não está tudo ao mesmo tempo em produção, são vários ciclos.
O produtor deve escolher qual vai ser o produto principal, lavoura, pecuária ou floresta. Na prática, a pastagem tem melhor qualidade, ambiente e manejo são facilitados, inclusive na hora de fazer os piquetes os fios elétricos podem ser colocados nas árvores reduzindo o custo. Não existe ganho de uma cultura isolada, o sistema completo é que garante maior lucratividade numa mesma área.