Projeto ensina estudantes a cultivar plantas medicinais

Ideia é preservar o hábito dos antepassados e incentivar o uso dessas ervasChá de capim santo para insônia, de cana do brejo para infecção nos rins e chá de camomila como calmante. É em uma plantação que alguns alunos aprendem sobre o cultivo e o uso de ervas e raízes que fazem bem à saúde. Na zona rural de Brasília, um projeto desenvolvido por uma farmácia de manipulação, uma escola pública e a Emater ensina estudantes a cultivar plantas medicinais. A ideia é preservar o hábito dos antepassados e incentivar o uso dessas ervas.

– As indicações, como é feito o chá, o que é um chá por decocção, como é feito, por exemplo, um shampoo de camomila, um xarope de guaco e cápsulas, também, medicinais – diz a coordenadora do projeto na escola, Elisemar Alves de Lima.

Nas visitas de campo, os adolescentes também aprendem a colher e secar as plantas e até como é feita a manipulação dos produtos. A ideia é resgatar o uso das plantas medicinais. O conhecimento que as crianças aprendem no local é levado para casa.

– Quando 90% da população estava no campo, sabíamos de cor para que as plantas serviam. E as pessoas hoje, todas urbanas, estão deixando de saber como é que se faz o bom uso e a sua preservação – explica o diretor farmacêutico Rogério Tokarski.

A estudante Naira Lorraine Gomes, de 13 anos, sabe tudo sobre a espinheira santa. Ela ensinou a mãe a fazer de forma correta o chá indicado para tratar úlcera e gastrite.

– Você ferve a água. Depois de desligar, coloca as partes moles, ou seja, suas folhas. Depois abafa de cinco a 15 minutos para não perder seus princípios ativos – ensina Naira.

Murilo Bezerra da Silva, de 15 anos, se encantou pelos laboratórios. Teve até a oportunidade de trabalhar como menor aprendiz em uma farmácia. Gostou tanto que pretende fazer da atividade a sua profissão.

– Foi uma das áreas que eu mais gostei. Pretendo até ser farmacêutico daqui pra frente – conta Murilo.

O idealizador do projeto, criado há onze anos, se orgulha do resultado. Rogério Tokarski acredita que o trabalho pode fazer com que o cultivo dessas plantas seja maior no futuro.

– Para que o Brasil deixe de importar camomila da Espanha, da Argentina, que o Brasil deixe de importar inclusive sabugueiro da Colômbia, da Bolívia. Não se produz, não se tem a escola de formação e não se tem o incentivo industrial dos fitoterápicos – diz o diretor farmacêutico.

As escolas que tiverem interesse em participar do projeto podem ligar para o telefone (61) 3380-3131.