NOVOS CORTES

Estimativa de safra de soja 23/24 é atualizada por consultoria

hEDGEpoint Global Markets reduz projeção para 23/24, mas vê clima em janeiro como fator positivo contra quedas mais acentuadas

lavoura de soja
Foto: Wenderson Araujo/Trilux/CNA

Novos cortes foram feitos na produção brasileira de soja. Desta vez, a hEDGEpoint Global Markets, em relatório de fevereiro divulgado nesta terça-feira (27), aponta safra de 150,1 milhões de toneladas, abaixo das 153,4 milhões de toneladas indicadas em janeiro.

A consultoria ressalta que há uma grande divergência no mercado: enquanto o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mantém um número alto 156 milhões de toneladas, a Conab reduziu suas estimativas para 149,4, o que está mais em linha com outros agentes.

De acordo com o analista de Grãos & Oleaginosas da empresa, Pedro Schicchi, as condições climáticas foram melhores em janeiro, o que ajudou a estancar maiores reduções na safra de soja.

“Durante a revisão do mês passado, estávamos bem no ‘olho do furacão’. Desta vez, embora ainda não estejamos fora de perigo, a quantidade de lavouras que já atingiram a maturidade ou foram colhidas é muito maior”.

Novas revisões de safra

O analista explica que há uma parcela significativa da safra nos estágios reprodutivos. “Isso é especialmente verdadeiro para os estados produtores dos extremos (Rio Grande do Sul e Matopiba), que plantam e colhem mais tarde do que os outros. A consequência é que, como uma menor parcela da produção está ‘em risco’, as mudanças em novas revisões nos números de safra devem começar a diminuir”.

Segundo a hEDGEpoint Global Markets, as condições climáticas em janeiro representaram uma melhora em relação a dezembro na maioria das regiões, o que ajudou a evitar mais perdas em nível nacional. “As temperaturas foram mais amenas durante o mês e a precipitação foi maior, em média, embora não em todas as regiões”, diz Schicchi.

Índice de vegetação da soja

NVDI soja

O modelo de estimativa da consultoria estima, ainda, o Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI), usado para quantificar o “quão verde” está a vegetação e é útil para entender a densidade da lavoura e avaliar as mudanças na saúde das plantas (USGS). “Embora não seja perfeita, a medida tem uma boa correlação com a produtividade”, ressalta o analista.

Segundo ele, vários blocos de estados importantes no Brasil, apesar de piores do que no ano passado, permaneceram próximos da média de 20 anos durante toda a temporada.

“Exemplos são Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná. É claro que isso é verdade no conjunto, mas pode não ser verdadeiro quando se fala de regiões específicas dentro desses estados. Os extremos (Matopiba e Rio Grande do Sul) tiveram um início de temporada muito ruim, mas se recuperaram quando chegamos a janeiro e as condições climáticas melhoraram”, pontua.

Em resumo, o fim das contas é que, na opinião da hEDGEpoint, os números continuam caindo, e não sem razão. No entanto, condições melhores estancaram o sangramento até certo ponto e, com uma parcela menor da produção em risco, as alterações nas estimativas devem começar a diminuir à medida que avançamos.