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Soja: veja os fatores que podem mexer com os preços nesta semana

Conflito entre Rússia e Ucrânia segue no radar do mercado; consultoria Safras destaca oportunidade para fixar custos

As tensões entre Rússia e Ucrânia seguem no radar do mercado de soja. O conflito gera volatilidade para as cotações da oleaginosa, que também foram impactas pela melhora do clima nas lavouras da América do Sul.

Acompanhe abaixo os fatos que deverão merecer a atenção do mercado de soja na semana que vem. As dicas são do analista da Safras Consultoria, Gil Barabach.

– O conflito entre Rússia e Ucrânia deve continuar no radar do mercado, trazendo volatilidade aos preços da soja na CME. A oleaginosa acompanha trigo, milho e petróleo;

– O preço do óleo de soja é o mais sensível ao conflito no Leste da Europa. A dispara na cotação do petróleo estimula a demanda por biodiesel e dá sustentação do preço do óleo de soja. A Ucrânia também é um grande exportador de óleo de girassol, o que também contribui para os ganhos no óleo de soja e de palma;

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Foto: Wenderson Araujo-Trilux/CNA

– Apesar da acomodação externa ter contribuído, as perdas mais acentuadas desta sexta-feira estão ligadas a melhora no clima na América do Sul. Há previsão de chuvas para a região Sul de Brasil, com precipitações devendo se estender Argentina, Paraguai e ao MS. Não devem reverter perdas anteriores, mas ajuda a evitar maiores prejuízos. E por isso, favorece movimentos corretivos, diante de um mercado muito esticado por conta da quebra da safra na América do Sul;

– A Safras cortou potencial de exportação para 80,5 milhões e reduziu os estoques para 2,37 milhões de t (abaixo da temporada 2020). Esse ajuste foi necessário diante da quebra da safra BR-22. Os números reforçam o cenário de aperto no atual ciclo, justificando a firmeza do mercado e gerando preocupação em relação aos níveis de preço e ao abastecimento no Brasil ao longo da entressafra;

– A posição Mai/22 acabou perdendo a linha de US$ 16 bu e dá sinais de fraqueza técnica de curto prazo na CME. Mercado amplia o intervalo de atuação, com posição Mai/22 desenhando suporte em torno de 15,51 cents e resistência a 16,80 cents em Chicago;

– O Fórum Anual do USDA, que seria uma espécie de “esquenta” para o primeiro número oficial para área de soja nos EUA, indicou 88 milhões de acres. Embora acima do ano passado (87,2) ficou abaixo da expectativa do mercado de 89,2 milhões de acres. Ao final de março sai a 1 intenção do USDA para próxima safra dos EUA. E naturalmente a partir daí o mercado começa gradativamente a mudar os holofotes em direção a safra dos EUA;

– Os vetores para a formação de preço no mercado disponível de soja mudaram ao longo da última semana. Enquanto a soja na CME indica acomodação negativa, o dólar compensou subindo forte. Já o prêmio segue muito firme nos portos. O resultado é que o preço da soja voltou a subir no mercado físico interno;

– O dólar repercute o conflito no Leste da Europa e antecipa o movimento de correção esperado para frente. É bom ficar atento a volatilidade cambial, que pode abrir oportunidades tanto para fixação dos custos (dolarizados) como também para fechar posições de venda de soja.