Protesto Agrícola na Colômbia bloqueia 18 rodovias e causa problemas de abastecimento

Foram registrados 28 casos de ataques às missões e bloqueios de passagem de ambulância desde que os protestos foram iniciados na última segunda, dia 19Depois de seis dias de bloqueios de rodovias, os manifestantes do Protesto Nacional Agrícola na Colômbia, mantiveram neste sábado, dia 24, 18 rodovias bloqueadas no país e os problemas de abastecimento são mais perceptíveis à população das regiões afetadas e até na capital. Os manifestantes acusam integrantes do Esquadrão Móvel Antidistúrbios de abuso no uso da força para conter os manifestantes.

O departamento mais afetado foi Boyacá, no centro do país, que está praticamente isolado. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que havia pedido que as missões médicas, fossem respeitadas durante a semana, enviou neste sábado uma caravana humanitária para levar insumos de emergência aos hospitais do departamento, que sofrem com o desabastecimento de remédios.

 – O abastecimento dos hospitais é muito importante e muito preocupante. Vários hospitais estão quase esgotando suas reservas de material médico e medicamentos – explicou Jordi Raich, chefe do CICV na Colômbia.

Segundo um comunicado, emitido neste sábado, foram registrados 28 casos de ataques às missões e bloqueios de passagem de ambulância desde que os protestos foram iniciados na última segunda, dia 19. Um dos incidentes causou a morte de uma pessoa que não pode receber hemodiálise.

Em Bogotá, os efeitos principais são sentidos no abastecimento de produtos. Feiras livres e alguns centros de abastecimento da capital, Bogotá, já começam a faltar alguns produtos alimentares.

– A batata, a ervilha e o arroz não chegaram esta semana e também vemos que os estoques de frutas estão terminando – disse o feirante Ignácio García, que trabalha em uma feira livre da cidade.

Os preços também começam a subir e é notado por donas de casa. Amalfe Ruiz disse que o arroz e a batata já estão mais caros.

– O quilo de arroz estava custando 2 mil pesos [R$ 2,47] e em uma semana está mais do que o dobro do preço, 5 mil pesos – calcula.

Os manifestantes denunciam que, após seis dias de protestos, a polícia tem agido com violência para tentar conter os protestos. Diante das denúncias, o diretor da polícia, general Rodolfo Palomino, escreveu em sua conta no Twitter que ordenou uma investigação dos casos denunciados.

“Estou atento às denúncias de excessos de alguns policiais e por isso ordenei uma investigação para todos os casos”, escreveu. Palomino também pediu que os manifestantes não “se deixem persuadir por pessoas violentas dentro do movimento”. Segundo o general, cerca de 123 policiais foram feridos por arma de fogo, explosivos e golpes de pedra.

O governo se mantém firme em sua posição de não dialogar, enquanto continue o bloqueio nas rodovias.

– Fiz um chamado aos manifestantes para que fiquem em casa ou protestem de maneira que não viole os direitos das outras pessoas – defendeu o ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón, em uma entrevista coletiva na sexta, dia 23.

O movimento é formado por pequenos produtores rurais, arrozeiros, cafeicultores, caminhoneiros e mineiros. Há várias reivindicações como o repasse de recursos aos camponeses, melhores condições de trabalho, redução do custo de produção e transporte e até mesmo reivindicações políticas, como “a substituição da política neoliberal adotada pelo governo”.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), já declararam apoio ao movimento e pediram que o governo não criminalize os manifestantes. Analistas acreditam que as manifestações têm a ver com o momento político vivido pelo presidente Juan Manuel Santos – que negocia a paz com as Farc e que pretende se candidatar à reeleição no próximo ano.

– Aqui na Colômbia é normal, quando se aproximam as eleições, que as manifestações e protestos se intensifiquem ainda mais agora em que o país está negociando com as Farc – disse o professor de Ciência Política, Benjamin Herrera, da Pontifícia Universidade Javeriana em Bogotá.

Segundo Herrera, o governo terá que ter bastante habilidade para contornar a insatisfação popular e dialogar com o movimento.

– Há muitas promessas e intenções, mas a população que está reivindicando melhorias não viu mudanças na prática, por isso está indignado – diz Herrera.