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Após o anúncio de que o Banco Central Americano vai manter o programa de estímulo monetário, o que significa continuar injetando dólares no mercado, a moeda americana passou a recuar. Mesmo depois de já ter atingido o valor de R$ 2,45. Agora, está custando R$ 2,20.
– Quando o FED [Federal Reserve, o banco central americano] surpreende e diz que vai manter injeção de recursos na economia, essa continuidade vai pressionando o câmbio no sentido de apreciação, pelo menos durante algum tempo. Houve apenas uma postergação dessa reversão dos estímulos. Não significa que foi abandonada essa possibilidade. Quando os Estados Unidos respiram, a gente sente os impactos disso rapidamente. Por isso a moeda caiu a R$ 2,19 ou R$ 2,20. Até o final do ano deve voltar para R$ 2, 35, até porque nossas contas externas estão ruins – explica o economista de tendências, Felipe Salto.
O Banco Central já injetou mais de US$ 50 bilhões em 27 dias de intervenções cambiais. Com isso, a moeda norte americana desvalorizou 9,7%. Mesmo assim, o Brasil segue com o programa de estímulos anunciado em agosto, e deve continuar intervindo no dólar até o fim do ano.
Os analistas afirmam que a queda da moeda americana pegou de surpresa as exportações brasileiras. Isso significa uma diminuição da rentabilidade do produtor rural. Segundo o agrônomo e diretor da MB Agro, José Carlos Hausknecht, isso não chega a ser uma situação preocupante.
– Os preços seguem interessantes. Alguns produtos como soja, por exemplo, têm um preço bom, dadas as condições de preços internacionais. Mesmo com R$ 2,20 é um preço positivo. Mas é menor com o câmbio a R$ 2, 40. Então, isso acaba prejudicando – disse.
Para o analista, a queda do dólar não era esperada, mas o valor de R$ 2, 20 é positivo. Ele diz que o produtor deve aproveitar o momento da moeda americana, para realizar a compra de insumos.
– Os insumos, como são importados, estão sujeitos a variação do câmbio. Com a queda, resolve o problema de preços deles. É um bom momento para comprar esses insumos – salienta.