Reportagem especial sobre São Paulo mostra rotina de pequenos produtores que dependem da cidade

Maior cidade do país completa 460 anos; capital dá oportunidade para agricultores familiaresSão Paulo completa neste sábado, dia 25, 460 anos. A maior cidade do país, acostumada com o corre corre da vida agitada também dá oportunidade para quem é pequeno e quer vender. É o caso dos produtores que trabalham no sistema da agricultura familiar. Em reportagem especial do Rural Notícias, você vai conhecer a história de uma família de fora de São Paulo, que precisa da capital paulista para sobreviver.

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O dia na roça começa sempre muito cedo para a família Dias, em Cotia, na região Metropolitana de São Paulo. Suas lavouras são todas orgânicas e fazem parte do programa de agricultura familiar. O produtor rural Benedito Nunes Dias aproveita para plantar ainda cedo.

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E não é um trabalho fácil. Depois de colhido, os legumes e as verduras são lavadas pela família em um galpão nos fundos do sítio onde moram. Tudo coordenado pela produtora Gisele Dias, que já está na atividade há 24 anos. A propriedade em Cotia tem 5 hectares e consegue produzir cerca de 3 mil unidades de verduras e legumes. O que arrecadam é o suficiente para o sustento da família.

– A gente tem começado a ver agora. Depois de alguns anos que tem compensado a gente investir no orgânico, investir na família, de estar na agricultura orgânica – afirmou Gisele.

O trabalho no campo é árduo e a vida é pacata. O produtor rural escolheu a roça para viver e tirar o próprio sustento. E tudo o que cresce aqui é colhido e vai direto para a cidade grande. A família Dias depende da maior cidade do país: São Paulo.

Toda a produção feita pela família vai direto para a capital, que é um ponto importante para a distribuição de tudo o que é cultivado.

– Tudo que a gente produz aqui é lá que a gente distribui. Depende de restaurantes, das feiras livres, do Ibirapuera. A gente depende de toda a cidade pra escoar a produção. Sem isso, não tem dinheiro. A gente depende disso pro pão de cada dia – declarou Dias.

– No Centro, no Ibirapuera, estamos fazendo feira lá há um ano, então tem sido muito bom. A gente tem conhecido bastante pessoas com interesse no orgânico. Pessoas que dão valor para nós que trabalhamos no campo – relatou Gisele.

Parte da distribuição é feita pelo filho do casal, Kelvin, que leva a produção para alguns restaurantes da capital ou para a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), a maior companhia de entreposto da América Latina. Local onde saem frutas, verduras e legumes para todo o país e até para fora do Brasil.

Os pequenos produtores da agricultura familiar mandam a produção para o box da proprietária Luciana Silveira Carbone, uma produtora rural de Bebedouro (SP), que também é facilitadora, ajudando os pequenos agricultores a venderem a produção na Ceagesp.

– Eu sou filha de produtor de agricultura familiar. Sou nascida e criada no sítio e produzo orgânico há mais de dez anos. Primeiro pra viabilizar nossa produção. Porque hoje ser produtor orgânico familiar no país não é tão fácil assim. A gente produz e tem dificuldade na comercialização – afirmou Luciana.

Só o box da Luciana atende mais de 200 famílias de todo o Brasil. Dali saem mais de 60 mil quilos de frutas, legumes e verduras todos os meses. Mais de 20% dos produtos vendidos ficam em São Paulo. Afinal de contas são quase 12 milhões de habitantes na cidade.

– Daqui do Ceagesp a gente consegue os alimentos para a cidade de São Paulo, aqui é muito importante, por isso estamos aqui. Eu não conseguiria fazer lá em Bebedouro onde eu produzo, daqui de São Paulo eu consigo mandar, eu consigo receber do país inteiro e distribuir pro país inteiro pequenas quantidades – contou Luciana.

E o campo precisa ser veloz para atender o vai e vem dos carrinhos que atendem um público que só cresce e fica cada vez mais exigente. O público de uma cidade que completa 460 anos tem a economia mais importante do país, e é aberta a oportunidades.

– É uma grande oportunidade ter uma cidade como São Paulo do lado. O que eu acho que a gente precisa, é de uma homenagem aos cidadãos paulistanos, a gente precisa definir um negócio mais justo. Onde a agricultura familiar possa vender direto para os instrumentos da sociedade civil para que eles tenham alimento de melhor qualidade com preço justo e ao mesmo tempo para que as famílias que estão no campo, produzindo alimento através desse processo familiar, possam ter preço justo pelo trabalho que desenvolvem. Assim todo mundo ganha e vive feliz – ressaltou o presidente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Estado de São Paulo, Marco Antonio Pimentel.

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