O governo gaúcho lançou nesta quinta-feira, dia 3, um programa de preservação de solos e água, aproveitando que 2015 foi declarado ano internacional do solo pela Organização das Nações Unidas (ONU). O Rio Grande do Sul é o que mais decreta estado de emergência no país, na maioria das vezes, em função da seca.
“O objetivo do programa é buscar a excelência na produtividade. Temos indicadores de que se pode muito aumentar esse número, mas também sabemos que a sustentabilidade é fundamental”, afirma o secretário de Agricultura do RS, Ernani Polo.
O projeto prevê diversas ações já existentes no governo estadual, mas desta vez compiladas em um programa permanente. O foco da atuação vai ser a capacitação do produtor no manejo do solo.
O secretário diz que, num primeiro momento, o estado vai trabalhar em encontros e seminários sobre extensão rural para mostrar ao produtor a necessidade de boas práticas na propriedade.
Segundo Polo, o governo está também tentando viabilizar recursos com órgãos internacionais, já que os eixos principais do programa seriam de interesse mundial: a preservação do meio ambiente e a produção de alimentos.
O programa prevê ações simples, que o produtor vai conseguir aplicar na propriedade.
O assistente técnico estadual de Solos da Emater Edemar Streck afirma que o produtor rural volte a plantar em sentido transversal e a produzir mais resíduos.
“É uma questão de conscientização, o produtor quer fazer o mais rápido possível, mas isso nem sempre é o mais adequado”, diz Streck. Produtores interessados devem procurar as entidades ligadas ao meio rural.
Paraná
Um programa de preservação e conservação já foi implantado no Paraná, com resultados promissores.
“Desde a década de 1970, quando o Paraná sofreu com a grande geada e migrou do café para a soja, nos preocupamos com solos. Desde aquela época aplicamos esse programa e evoluímos em produtividade”, afirma Otamir Cesar Martins, diretor geral da Secretaria de Agricultura do Paraná.
Um exemplo citado pelo diretor é o município de Tupanci, onde 800 produtores depois que foi feita a conservação, entraram com a agricultura de precisão após aplicarem técnicas de conservação. Segundo Martins, eles teriam aumentado a produtividade em 20%, com queda de 10% no custo.