Para reverter a situação, a unidade de pesquisa convoca toda a cadeia produtiva da fruta para o Dia de Campo do Projeto Arranjo Produtivo Local (APL) Maracujá. O evento ocorre nesta quinta, dia 29, no Auditório do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), em Bom Jesus de Itabapoana, no norte fluminense.
De acordo com Censi, que também é líder do projeto, o trabalho começou em 2007 com o objetivo de recuperar a produção da fruta no Estado.
– A ideia é fornecer ao agricultor, ao produtor, tecnologias para que ele possa ampliar a produção, agregar valor e gerar renda na cadeia produtiva, ou seja, retomar a produção no estado do Rio de Janeiro, tendo em vista que o estado já foi um grande produtor e hoje produz pouco maracujá – diz.
O pesquisador declarou que a área plantada de maracujá no Estado caiu de 2,5 mil hectares em 2004 para 300 hectares em 2007, devido a problemas de organização da cadeia produtiva e também de doenças que incidiram sobre a cultura, matando as plantas.
– Houve um surto, mas não foi um problema apenas no Rio de Janeiro. É um problema no Brasil, no mundo, de quem produz maracujá. Só que outros Estados conseguiram gerenciar o problema, controlar a praga e manter a viabilidade econômica da produção do maracujá – avalia.
A ideia agora, segundo ele, é restabelecer a produção de forma sustentável, usando tecnologia.
– De 2007 para cá nós geramos várias soluções tecnológicas a fim de fazer frente ao problema. Na questão da morte de plantas e problemas fitossanitários, a Embrapa gerou novas variedades, novas cultivares resistentes a essas doenças, mais adaptadas, que conseguem produzir mais, por mais tempo – disse.
Outra frente de trabalho da Embrapa Agroindústria de Alimentos, de acordo com Censi, é aproveitar o resíduo da fruta.
– Ao mesmo tempo nós desenvolvemos aqui no Estado do Rio de Janeiro um trabalho inédito de aproveitamento dos resíduos da indústria do suco de maracujá, tendo em vista que 70% da fruta são resíduos e apenas 30% polpa – conta.
Segundo ele, sementes e cascas geram produtos de alto valor agregado. Da casca, que tem alto valor nutricional e funcional, pode ser feita uma farinha purificada usada para o controle de glicemia em diabéticos e do colesterol, além da utilização pela indústria de sucos e doces. Da semente, é extraído o óleo usado na indústria de cosméticos e como fitoterápico, devido à propriedade cicatrizante.
O pesquisador explicou ainda que o Rio de Janeiro é o segundo maior consumidor de maracujá do país e precisa importa de outros Estados 90% da fruta usada in natura. Além disso, o parque industrial de sucos e polpas demanda 50 mil tonelada de maracujá por ano, ao passo que a produção do estado não chega a seis mil toneladas. A maioria do maracujá consumido no Rio de Janeiro vem de São Paulo, Minas Gerais, do Espírito Santo e da Bahia.
Censi destacou também que o Brasil é o maior produtor e exportador mundial de maracujá, mas como a demanda interna está aquecida, a exportação acaba ficando em segundo plano. Portanto, é necessário reestruturar toda a cadeia produtiva para suprir o mercado em expansão.
O Dia do Maracujá é o primeiro evento do projeto APL Maracujá, que se encerra em 2014, em parceria com universidades, a Emater e as prefeituras. Serão apresentadas as tecnologias desenvolvidas pela Embrapa, as novas cultivares e demonstradas as boas práticas agrícolas no campo, além do aproveitamento do resíduo da indústria. O evento é aberto e não requer inscrição prévia. A programação está disponível no site da Embrapa.