– As diferenças são muito grandes. Não dá para comparar. Vai ser um balanço dos últimos 20 anos, com algumas recomendações – disse Vieira que, ao acrescentar que não haverá decisões que obriguem os países a executá-las, diz crer que a Rio+20 não terá caráter resolutivo.
Apesar de não ter grandes esperanças em torno da Rio+20, Vieira considerou que o balanço que será feito no encontro é um ponto positivo.
– As recomendações também, de certa maneira, serão bem-vindas.
Ele lembrou que a Rio 92, apesar das dificuldades enfrentadas, resultou em convenções que foram aprovadas pelos governos. Entre elas, as que tratam de clima e da biodiversidade, além de um plano de ação conhecido como Agenda 21. Para Vieira, no caso da Rio+20, ainda há uma grande indecisão.
– Se nestes 20 anos não foi possível alcançar acordos nessas conferências das partes, dificilmente vai ser alcançado um acordo nesta reunião [Rio+20], que é mais abrangente – afirmou.
Segundo Vieira, é o momento de se ter uma visão de conjunto sobre a situação do planeta e a destruição dos recursos naturais. Apesar de não ser otimista sobre a Rio+20, ele admite a possibilidade de que ocorra algum avanço no que se refere à governança ambiental que resulte no fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), sediado em Nairóbi, no Quênia, ou na criação de uma nova agência global.
Mobilização popular será diferencial
Para embaixador aposentado e membro da Sociedade Nacional de Agricultura e da Academia Nacional de Agricultura, Flávio Perri, que coordenou a Rio 92, um dos principais diferençiais da Rio+20 será a mobilização popular.
– A característica da Rio+20 é que não são apenas os governos, os presidentes e chefes de Estado que vão participar e assinar um documento principal. É toda a opinião pública. Milhões de pessoas vão ver o que se passa no Rio – diz Perri. Essa distinção, segundo ele, é muito importante, porque dá uma característica participativa à Rio+20.