
O coordenador do Centro de Agronegócios da FGVAgro e ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse nesta quinta-feira, 28, não ter sido abordado sobre a possibilidade de assumir o cargo em um eventual governo de Michel Temer. À reportagem, ele insistiu que qualquer ministro à frente da Pasta “não pode ser aprendiz”. “Não dá tempo, estamos na iminência do Plano Safra. A pessoa tem que conhecer a atividade”, afirmou.
Na opinião de Rodrigues, a escolha pode ser tanto por um parlamentar como por um representante diretamente ligado ao setor. “O essencial é que saia jogando no dia seguinte”, disse, citando dois ex-secretários da Agricultura, a deputada federal Teresa Cristina (PSB-MS) e o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), além do deputado federal Marcos Montes (PSD-MG), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).
Sobre o Plano Safra 2016/2017, que deve ser divulgado no próximo dia 4, Rodrigues disse que a atual ministra da Agricultura, Kátia Abreu, pode se aproveitar do bom relacionamento com a presidente Dilma Rousseff e conseguir alguns “ganhos adicionais”. “Mas não sei se a vontade dela e da presidente encontra eco junto ao Ministério da Fazenda, que é quem dá a palavra final em recursos e juros”, acrescentou.
Segundo ele, produtores querem mais recursos e há sinais de que o agronegócio neste ano-safra terá “prejuízos sensíveis”, o que justificaria o aumento do montante de crédito a ser disponibilizado. “Aquela franja norte – Mato Grosso e Matopiba –, assim como o Sul, sofreu com muita chuva e está perdendo soja na colheita. Isso mostra que o ano já está sendo difícil”, explicou.
“Podemos dizer então que a ministra está numa sinuca de bico. De um lado, ela merece um prêmio da presidente pelo que fez, mas, de outro lado, a Fazenda quer um prêmio por não relaxar na contingência”, ressaltou.
Questionado sobre um eventual boicote do setor ao lançamento do plano antes do julgamento, pelo Senado, da admissibilidade do pedido de impeachment da presidente, Rodrigues respondeu: “O que ouvi não foi tanto a ideia de boicote. Foi a ideia da falta de confiança ou segurança”, afirmou. “Um sentimento de que o bom plano que a Kátia pode conseguir não será cumprido com um novo governo e equipe.”
CAR
Assim como a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, Rodrigues defende a não prorrogação do prazo para a realização do Cadastro Ambiental Rural (CAR), mas também não acredita que a solução seria uma multa para quem não o fez.
“Teria quer ser criado algum mecanismo que viabilizasse (regularizar a situação), com alguma forma de diferenciação de quem fez no prazo certo. Não se pode penalizar quem fez o cadastro no prazo correto”, completou.