Safra da maçã altera rotina do município de Vacaria, no Rio Grande do Sul

Maior produtora do Estado, época provoca aumento da população e também alguns transtornos para a cidadeO município de Vacaria, na serra do Rio Grande do Sul, é o maior produtor de maçã do Estado. A época de colheita provoca um aumento de até 20% na população da cidade, que salta de 61 mil para 76 mil habitantes. O crescimento gera também alguns transtornos.

Com a chegada dos trabalhadores temporários, as vendas aumentam no comércio, mas para os serviços públicos é um período de grande trabalho. Os atendimentos de saúde, por exemplo, crescem 40%.

— Sabemos que as pessoas chegam para trabalhar, buscar um espaço, mas o município não tem uma estrutura, uma arrecadação para essa época sazonal — explica o secretário de Desenvolvimento, Elidalberto Maciel Batista.

O número de ocorrências policiais é o mesmo dos meses anteriores ao período de colheita da maçã, mas o que chama a atenção são os casos de violência nos alojamentos. Para evitar que casos se tornem frequentes, a Polícia Civil mantém o controle dos safristas que chegam para os pomares de Vacaria. Ao desembarcar na cidade, a ficha policial do trabalhador é consultada. A parceria com os produtores já dura oito anos e trouxe benefícios.

— Quando começou o controle foram pegas muitas pessoas foragidas da Justiça. Pessoas com mandado de prisão em aberto foram capturadas. A partir do convênio houve redução nessa captura de pessoas porque o pessoal de fora que tem problema com a Justiça já não vem mais — explica o delegado titular, Anderson Silveira de Lima.

Mas, de acordo com a polícia, ainda há propriedades que não fornecem os dados. Os empresários dizem que está cada vez mais difícil encontrar gente interessada em trabalhar nos pomares. A dificuldade é tão grande que índios e estrangeiros estão sendo recrutados.

— Até a década de 1980, a gente colhia com as pessoas de Vacaria. Na década de 1990, nós tivemos que partir para o Estado inteiro. Na primeira década desse século passamos para o Brasil inteiro. E agora nós estamos partindo para outros países — afirma o diretor de operações, Celso Zancan.

Quem aceita chega a ganhar R$ 3 mil numa safra, dependendo do volume de trabalho. Os produtores reconhecem que é difícil manter a ordem, principalmente nos fins de semana, quando os safristas vão para a cidade.

Para o presidente da Associação Gaúcha dos Produtores de Maçã (Agapomi), Leandro Bortoluz, essa realidade só vai mudar quando a produção contar com mais variedades. Assim, o período de colheita vai ser ampliado, necessitando de menos trabalhadores e garantindo maior tempo de serviço.

— Essa qualificação da mão de obra é necessária para que a gente possa adequar o número de pessoas, melhorar a remuneração e fazer com que haja mão de obra suficiente para esse período de grande demanda — afirma Bortoluz.

Clique aqui para ver o vídeo