Safra de uva do Rio Grande do Sul deve ter menor quantidade, mas melhor qualidade, prevê Ibravin

Apesar de o instituto projetar quebra de 20% em relação à produção de 2011, qualidade da uva deste ano deve ser comparável às melhores colheitasRegiões de altitude mais baixa na serra do Rio Grande do Sul já começaram a colher as uvas viníferas desta safra. A expectativa é que a colheita deste ano seja menor em quantidade, mas melhor em qualidade.

O Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) projeta quebra de 20% em relação à safra de 2011. Mas o volume menor não deve ser problema especialmente por dois motivos. A safra do ano passado foi histórica, com 707 milhões de quilos. E a sanidade da uva e o teor de açúcar de agora devem ser comparáveis, nesse quesito, a algumas das melhores colheitas.

Das perdas estimadas pela entidade, metade é por conta do granizo que castigou propriedades da Serra em dezembro. A outra metade das perdas na safra é causada pela seca. A prefeitura de Bento Gonçalves decretou situação de emergência nesta quinta, dia 12. De acordo com o laudo técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), 924 hectares de uva foram atingidos no município, o que representa uma perda de 15% na safra de 2012.

– Por conta da estiagem, os grãos não cresceram na sua totalidade – explica o diretor executivo do Ibravin, Carlos Raimundo Paviani.

Mesmo apresentando quebra, a safra deste ano – estimada entre 560 milhões e 600 milhões de quilos – poderá ser a terceira maior já colhida no Estado, perdendo só para 2011 e para 2008.

– Nesse momento, a qualidade da uva é muito boa. Se persistir o tempo, com sol, mas também chuva na dose adequada, ganharemos em qualidade – avalia o diretor do Ibravin.

Cerca de 30 toneladas da uva chardonnay plantadas em Cotiporã pela Vinícola Dunamis foram colhidas nessa segunda, dia 16, 15 dias antes do previsto. As uvas devem ser destinadas a um espumante que será lançado no fim de 2013. Na Cooperativa Garibaldi, já foram recebidos 20 mil quilos de uvas chardonnay e pinot noir para espumantes e 26 mil quilos de bordô para suco de uva. A previsão é receber 15 milhões de quilos.

Otimismo também para as uvas comuns

Para os agricultores que produzem uvas americanas e híbridas, o otimismo também predomina. Na propriedade de Claudino Victório Bianchi, em San Valentin da 2ª Légua, nessa segunda foi a vez dos primeiros cachos de isabel. Desde o início do mês, a niágara vem sendo colhida. No ano passado, a família colheu cerca de 140 mil quilos. Neste ano, o número deve se repetir.

– Em qualidade, a safra será melhor. O preço é que não deve aumentar muito. Mas, como temos mais qualidade, devemos ganhar em cima disso – entende Bianchi.