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O produtor Adalberto Freitas já deveria ter colhido a safra de tomate pelo menos há 20 dias, mas a seca atingiu em cheio a lavoura plantada no mês de janeiro em Sumaré. Choveu muito pouco no ciclo de três meses da fruta e a colheita vai se prolongar até o final de junho. Uma estiagem rara, que retardou o desenvolvimento da cultura.
As perdas nos oito hectares de tomate de Freitas chegaram a 40%. Em 2013 ele colheu 30 mil caixas, nesta safra colherá 12 mil caixas a menos. Além da falta de chuva, a culpa é das pragas, principalmente o trips, inseto vetor de uma virose que inutiliza o tomate.
– Deu muita praga. Trips, ácaro, mosca branca. A chuva ajuda a controlar um pouco elas. Mas, neste ano, sem chuva não teve controle – diz o produtor.
Marcos Ravagnani, que sofreu severo ataque de trips na sua produção, diz que os inseticidas e outros produtos de controle estão perdendo a eficiência.
– A população nesta época nas contagens no campo chegou a 15 vezes acima do normal. E o ácaro, por conta de não ter chuva nem umidade, aumenta muito. A gente está com problema sério de eficiência dos produtos, que caiu muito nos últimos anos – diz Ravagnani.
O que poderia ajudar o produtor numa seca tão intensa como esta é o controle biológico. Novos produtos para combater estas pragas não faltam, o que falta é agilidade na liberação.
– Nós temos vários protocolos de produtos biológicos para o controle de pragas que se demonstraram muito eficientes vão ser uma ferramenta maravilhosa para o produtor. Mas, infelizmente, ainda se encontram em fase de registro. Saem perdendo o produtor e o consumidor porque a gente poderia ofertar produtos com menor uso de químicos e qualidade muito superior – conta Ravagnani.
O consumidor também perde pagando mais pelo tomate. Com a oferta reduzida, o valor da caixa de 25 quilos chegou a R$ 100 no pico da safra. Se a fruta sai mais cara no campo, é no supermercado, segundo o produtor, que a margem de preço é exagerada.
– A diferença é muito grande, chega a 200% no mercado. Estamos vendendo o tomate a R$ 20, R$ 25 a caixa, o que dá um R$ 1 o quilo, e eles vendem a R$ 4, R$ 4,50 o quilo – diz Adalberto Freitas.