Hoje, faltam educadores no Brasil. O número de vagas em aberto chega a 710 mil em todo país. Pensando nisso, o governo vem aumentando a oferta de cursos de licenciatura e também oferecendo bolsas de estudos nas universidades particulares. De 2001 para 2006 houve um aumento de 65% na quantidade de cursos voltados a docência, Mas o problema é que a procura só aumentou 39%. Com isso, há 55% de vagas ociosas.
Querendo conhecer os motivos desses percentuais, a Fundação Carlos Chagas, em parceria com a Fundação Carlos Civita, realizou uma pesquisa com 1,5 mil alunos em oito cidades brasileiras das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste.
Segundo a pesquisa, entre os fatores negativos da profissão estão os baixos salários, a falta de estrutura das escolas, a imagem ruim que a sociedade tem da profissão de professor e o alto número de horas trabalhadas. No lado positivo entra a possibilidade de transmitir conhecimento e o aprendizado entre alunos e professores.
A diretora-executiva da Fundação Victor Civita Angela Dannemann olha para o desinteresse dos estudantes com uma preocupação que vai além.
— A gente sabe que a idade média do professores hoje está relativamente avançada, entre 31 e 45. Isso para mim é o mais grave, o que significa que a gente daqui a pouco não terá professores — argumenta.
— Eu não vejo saída se não houver uma ação bem dirigida do Ministério da Educação em direção aos cursos de licenciaturas e junto aos secretários de Educação estaduais e municipais para que a carreira melhore. Nós já temos aí o piso salarial, que seria o mínimo para começar, mas nós precisaríamos de uma carreira que os jovens considerem decente — diz a coordenadora da pesquisa pela Fundação Carlos Chagas, Bernardete Gatti.
Mesmo com todas as dificuldades, os estudantes reconhecem a importância da profissão. O que mostra que se essas barreiras forem superadas talvez o país possa contar com um cenário diferente para a educação nos próximos anos.