Sem garantia de preço mínimo, produtores de feijão têm prejuízos

Analista aponta que anúncio de apoio é insuficiente para mudar patamar dos preços; produtores devem reduzir área plantada na próxima safraO analista de mercado Marcelo Lüders falou ao Mercado & Cia, nesta quinta, dia 4, sobre a situação dos produtores de feijão, principalmente do Estado do Paraná, afirmando que o anúncio de apoio do governo, que destinou R$ 10 milhões ao Programa de Aquisição de Alimentos nesta semana, é "uma gotinha no oceano".

– Os R$ 10 milhões, sendo que custa R$ 95 a saca, equivalem a seis mil toneladas. Está muito longe de, pelo menos, 100 a 150 mil toneladas necessárias. Este ano, sobraram no Brasil entre 350 e 400 mil toneladas. Isso não é nada que venha afetar os preços – disse Lüders.

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A tendência é de que produtores reduzam a área, depois de um “ano terrível como esse”.

– Foi um ano de total abandono por parte do governo, o preço mínimo não foi honrado – reforça Lüders.

As primeiras pesquisas já apontam para uma intenção de plantio menor, em torno de 15%, conforme pesquisa da Secretaria de Agricultura do Paraná. Mas o analista diz que é preciso tomar cuidado com esta informação. A indicação é que o produtor antecipe o máximo possível sua colheita, ou atrase o máximo possível seu plantio, para fugir da concentração de produto no mês de janeiro.

– Diversificar é o que pode fazer diferença – orienta.

Na próxima semana está prevista uma reunião em Brasília, da Câmara Setorial do Feijão, para que seja cobrada uma ação do governo, que garanta o preço mínimo de R$ 95.

Assista à entrevista:

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Apoio

Nesta quarta, dia 3, o governo divulgou que os produtores familiares que estão com dificuldades para vender feijão pelo preço mínimo podem oferecer o produto à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A Companhia dispõe de R$ 10 milhões, repassados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), para a compra de feijão por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). A ação é uma medida complementar ao apoio à comercialização de feijão iniciada pela operação de Aquisição do Governo Federal (AGF) em maio deste ano.

Os interessados devem procurar a Superintendência Regional da Conab no Estado onde o feijão foi produzido e informar a demanda existente. Cada Regional irá definir a maneira de operacionalizar a compra do produto. Será adquirido feijão tipos 1, 2 e 3.

A ação beneficiará agricultores familiares, cooperativas e organizações de produtores rurais. Produtores familiares devem apresentar a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) física. No caso de associações e cooperativas, além das declarações de cada agricultor, é necessário apresentar a DAP jurídica. O limite para aquisição no PAA é de R$ 8 mil por família no ano.

AGF

Entre maio e julho deste ano, foram disponibilizados R$ 60 milhões para AGF do produto em todo o país. A Companhia já adquiriu 29,3 mil toneladas de feijão de produtores dos Estados do Paraná (11,7 mil t), Goiás (4,1 mil t), Minas Gerais (2 mil t), Santa Catarina (5,9 mil t), São Paulo (2,3 mil t), Distrito Federal (3 mil t), entre outros Estados (3,3 mil t), com o uso de R$ 40 milhões dos valores aplicados.

Cada produtor pode vender para a Companhia as seguintes quantidades: Centro-oeste (mil sacas); Sul, Sudeste e Norte (750 sacas); Nordeste (100 sacas). O feijão deve ser entregue no armazém da Conab ou credenciado mais próximo, e o produtor deve solicitar a emissão do certificado de classificação e de depósito. Se o produto atender aos padrões exigidos – apenas Tipos 1 e 2 – é emitida nota fiscal de venda.

A expectativa é de que até esta sexta, dia 05, seja aplicado o saldo de R$ 20 milhões. Após o uso desses valores há a possibilidade de liberação de mais R$ 30 milhões para dar continuidade às compras durante o mês de setembro.