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Em entrevista ao programa Mercado e Companhia desta terça, dia 22, Santos destacou que, além da garantia de preço mínimo, a realização de leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro), pela Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), é fundamental para compensar a diferença aos citricultores. Segundo ele, o setor permanece em crise, muitos produtores não receberam os pagamentos de leilões do ano passado e o governo federal não fez nenhum tipo de intervenção para auxiliar o setor em 2013.
Canal Rural: Qual a expectativa para o preço mínimo? Vai dar para colocar em prática nessa safra?
Marco Antônio Santos: A gente espera que agora seja votado no Conselho Monetário Nacional a inclusão da laranja na PGPM [Política de Garantia de Preços Mínimos]. Após a votação – e se realmente for votado, porque estamos queremos ver para crer, já que aguardamos isso há mais de dois meses -, vamos trabalhar para que ocorram leilões de Pepro. O preço mínimo não é efetivamente o que a indústria está determinada a pagar ou o próprio mercado. É um preço de referência para o governo. Hoje, o preço está em R$ 7,00, R$ 7,50, até em R$ 8,00 a caixa, não quer dizer que as indústrias pagarão R$ 10,10. Esse preço é para a referência, para ocasionar leilões de Pepro.
CR: Esses leilões vão ter que acontecer de novo em 2014?
Santos: Exatamente. Ontem estava em contato com o Ministério da Fazenda e eles me informaram que ainda não existe um pedido formal do Ministério da Agricultura solicitando recursos para viabilizar os leilões de Pepro. Hoje estou tentando falar com o secretário Neri Geller [da Secretaria de Política Agrícola] para ver se isso realmente não ocorreu, porque não adianta só você dar o preço mínimo se não tiver leilão para dar R$ 2,00 ou R$ 3,00 a mais por caixa ao produtor. Há necessidade das duas coisas para dar segurança e remuneração ao produtor.
CR: Como funcionaram os leilões deste ano, eles realmente deram essa segurança para o produtor? Eu li que o produtor nao estava recebendo ou recebeu em atraso.
Santos: Exatamente. Era para termos recebido os leilões do ano passado, já que, neste ano, só tivemos um em janeiro, e estamos com uma dificuldade tremenda para receber isso. Alguns produtores estão sem receber há mais de um ano. É uma morosidade muito grande. A Conab voltou a pagar, mas está pagando muito pouco. Também entrou o subsídio da cana do Nordeste, então acumulou, e por isso eles estão com essa dificuldade. A morosidade está deixando o produtor impaciente. Já existem compromissos assumidos, já que nos informamos de que o dinheiro viria, mas não acreditávamos que iria demorar tanto. Muitas vezes eles dizem “Ah, é pela falta de documentos”, mas não está faltando nada, os documentos estão todos lá. Está faltando é boa vontade para agilizar isso o mais rápido possível para o produtor.
CR: Até porque não entra receita, mas dividas, sim. O produtor tem que pagar e tem seus custos. Com esses R$ 7,00, R$ 8,00 não se paga o custo de produção.
Santos: A situação do produtor está sendo minimizada. Além de tudo, há quebra de safra, que passa de 25%, menos laranja do que no passado, os preços estão praticamente iguais, não há leilões e nem qualquer tipo de interferência no sentido de ajudar o produtor. Neste ano, por incrível que pareça, o setor não conseguiu nada. No ano passado, conseguimos prolongamento de dívidas, novos custeios para investimentos e leilões Pepro e PEP. Nesse ano, nao conseguimos nada, e mostramos muito para o governo que a situação era essa, que a safra era menor, que o produtor estava com grandes dificuldades, que os estoques de suco estavam elevados ainda, e o governo, infelizmente, nao se movimentou para fazer nada. Se demorar muito, mais do que essa semana e a semana que vem, não adianta mais fazer. Nós estamos no final da safra, temos mais dois ou três meses de safra, e olhe lá.
CR: E quanto à questão fitossanitária, há alguma novidade em relação à pesquisa do greening?
Santos: O greening ainda incomoda muito. Na última reunião da Câmara, na semana passada, a Fundecitrus mostrou os levantamentos feitos e, infelizmente, se o produtor não tiver conscientização com esse trabalho que está sendo feito agora (as pulverizações para controlar o inseto através de inseticidas devem ser feitas de forma conjunta, com todo o parque citrícola, do dia 20 ao dia 30), vai ficar difícil. O greening desequilibrou e está desequilibrando o setor na produtivadade, juntamente como cancro, que vem aumentando significativamente.
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