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– O essencial é o custo do dinheiro, e não só ter dinheiro à disposição. E que o custo desse dinheiro seja acessível e compatível com a realidade dos agricultores brasileiros. Esse aumento é um problema adicional para os agricultores, especialmente os agricultores de médio porte – destaca a senadora Ana Amélia Lemos.
Em pleno ano de eleições, a medida adotada pela equipe econômica é considerada impopular.
– Assim, tão perto das eleições, realmente não parece algo muito simpático e apropriado do ponto de vista político. Existe a justificativa de que houve sucessivos aumentos da Selic, há um ano ela está aumentando, mas por outro lado, também há uma expectativa de que a Selic não vá sofrer aumento na próxima reunião e que, provavelmente, se estabilize daqui para frente. Evidentemente, os juros dos empréstimos rurais são mais favorecidos. Parece não ser o momento mais adequado para esse aumento que, de alguma forma, afeta o custo da produção e a própria cadeia produtiva – diz o consultor político Roberto Piscitelli.
Já o deputado federal Bohn Gass, do Partido dos Trabalhadores (PT), pensa diferente.
– Os juros estão bem abaixo da média histórica. Estamos no menor índice de inadimplência e nenhum agricultor deixará de ir ao banco pegar esse recurso por causa da operação. Pelo contrário, irá ao banco, porque outras áreas diminuíram os juros – disse Gass.
Na próxima semana, o setor produtivo quer encaminhar ao ministro da Agricultura um pedido formal para que haja revisão nas taxas de juros e para que sejam mantidos os mesmos patamares do ano passado.
– Tudo depende da força da argumentação que as lideranças tiverem no diálogo com o governo. Geller é experiente, conhece bem a área, penso que ele é um interlocutor adequado para levar essa reivindicação dos produtores ao governo federal e à presidente da República – conclui Ana Amélia.
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