Agricultura

Soja: cotação cai 13% e recua ao patamar de janeiro de 2022

Após atingir a máxima de US$ 15,69/bushel, cotação despenca para US$ 13,65

Depois de romper a casa dos US$ 15/bushel em meados de 2022, a soja despencou na Bolsa de Chicago para US$ 13,65/bushel, no fechamento desta sexta-feira (7) para o contrato de novembro/2022. Entre 3 de janeiro e o pico de 6 de junho, houve uma variação de 19%, de US$ 13,21 para US$ 15,69. E de -13% entre 6 de junho e 7 de outubro, quando a cotação da soja no mercado internacional recua ao patamar do início do ano.

Os movimentos são explicados em parte pelo conflito no Leste Europeu entre Rússia e Ucrânia, mas principalmente pela retomada da produção na América do Sul.

Depois de um ano de perdas provocadas pelo clima no Sul do Brasil e também no Paraguai, Uruguai e Argentina, as condições climáticas favorecem o plantio e o desenvolvimento das lavouras no ciclo 2021/22.

Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) também revelam uma retração no volume da soja grão negociado no mercado internacional.

Para fazer frente ao ritmo mais lento das exportações da soja grão, o Brasil tem investido nos embarques de farelo e óleo de soja. Conforme dados organizados pelo AgroExport, quadro do jornal Mercado & Companhia do Canal Rural que atualiza as exportações do agronegócio brasileiro, no acumulado de janeiro a setembro de 2022, o país já exportou 1,95 milhão de toneladas de óleo de soja. Recorde histórico e absoluto, não apenas para o período como para o ano.

Nos 12 meses de 2021 foram enviadas ao exterior 1,65 milhão de toneladas. Já o farelo embarcou quase 16 milhões de toneladas no período. No ano passado todo, foram 17,2 milhões de toneladas. O produto também tem potencial para fechar 2022 em alta.

Câmbio pressiona cotações de soja no Brasil

Além da variação intensa em Chicago, as cotações no Brasil são pressionadas pelo câmbio, que também segue em baixa no período de análise. Entre 3 de janeiro e 7 de outubro, a moeda desvalorizou 8% frente ao real, de R$ 5,66 para R$ 5,20, com efeito colateral negativo no preço da saca paga ao produtor brasileiro.

Na média, a saca de soja no Brasil entre janeiro e outubro, referência Cepea para o Porto de Paranaguá (PR), caiu de R$ 190 para R$ 178.

Produção

Maior produtor mundial de soja, o Brasil tem potencial para produzir 150 milhões de toneladas no ciclo atual, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Já os produtores norte-americanos, que sofrem com o calor intenso, devem colher 119 milhões de toneladas, segundo o USDA.