A degradação de recursos naturais como o solo é considerada uma ameaça para a manutenção da vida no planeta. Cuidar desse patrimônio é a chave para que o homem consiga sobreviver no futuro, já que o solo será o responsável por dar suporte a uma maior produção de alimentos, manter a atmosfera respirável e evitar o aquecimento global.
Para o diretor da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS) no Paraná, Arnaldo Collozzi Filho, o solo é como a pele do planeta. Se for “ferido”, apresentar problemas, põe em risco a saúde da Terra. Colozzi estuda há 30 anos a relação entre os cuidados com os solos e o desequilíbrio natural, coordenando uma equipe de especialistas que desenvolvem projetos de pesquisa de uso e manejo dos recursos naturais no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
A história desse órgão está ligada ao esforço para que os solos sofram o mínimo possível os impactos da ocupação do homem, tanto no campo quanto nas cidades. Collozzi conta que a ocupação do Paraná sempre foi intensiva, aproveitando as condições de clima e solo propícias à produção. Por conta disso, o estado sofreu muito com uso inadequado, que provoca erosão. “Produzir sem degradar é impossível. Nós precisamos trabalhar sempre no sentido de degradar o mínimo, que é o foco do Iapar”, diz o diretor.
Alimentos
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) estima que a população do planeta vai saltar, nos próximos 40 ano, de 7 bilhões para 9,2 bilhões de habitantes. Tal crescimento vai exigir um aumento na produção de alimentos de pelo menos 60%.
Para o pesquisador da Embrapa José Renato Bouças Farias, o Brasil detém hoje conhecimento científico para ajudar o agricultor a enfrentar o desafio de produzir alimentos em um cenário climático mais adverso.
Oxigênio
A adoção da agricultura conservacionista é considerada pelos pesquisadores uma das maneiras mais simples de diminuir a emissão de carbono na atmosfera. Quanto maior for a biodiversidade de uma área, maior será a atividade microbiológica do solo e consequentemente o sequestro de carbono pela planta.
A pesquisadora Graziela Moraes de Cesare Barbosa, do Iapar, explica que, no processo de fotossíntese das plantas, além de liberarem oxigênio, elas captam o CO2 e mantém o carbono retido nas raízes. Se, depois da colheita, o agricultor não movimentar o solo, haverá um processo de decomposição natural da raiz por microorganismos. “Essa população se alimenta de matéria orgânica e faz com que o carbono fique retido no solo, evitando que ele volte para a atmosfera”, afirma.
Aquecimento global
Autoridades internacionais de meteorologia defendem o cuidado intensivo com os solos como uma das alternativas para evitar que a temperatura do planeta seja elevada em 2 graus até o fim do século. Com o mundo em estado febril, a demanda hídrica do solo é ainda maior, o que justifica tantos alertas de especialistas.
De acordo com o agrometeorologista da Somar Marco Antônio dos Santos, não há sentido no discurso que prega mudar geograficamente as culturas no Brasil. Ele afirma que o país detém tecnologia para adaptar variedades às novas condições. No entanto, para enfrentar essa elevação, o produtor terá que mudar suas práticas agrícolas.
Santos afirma que é preciso tratar melhor o solo e manter maior quantidade de palha. Segundo ele, com a elevação da temperatura, as taxas de vapotranspiração também vão ser mais altas e, com isso, a demanda por água das plantas serão maiores. “Sem palhada, qualquer que seja a cultura irá sofrer mais com o aquecimento do que lavouras mais estruturadas”, conta.
De acordo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), as emissões de gás carbônico pela agricultura no planeta e o desmatamento para o plantio podem representar até 30% de todas as emissões de gases do efeito estufa provocadas pelo homem. E o Brasil está entre os cinco maiores emissores de gás carbônico do mundo, gerado principalmente pelo desmatamento para a implantação da agricultura.

