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No Programa de pós-graduação em Fisiologia e Bioquímica de Plantas da Esalq, Mourão orientou um estudo com objetivo de selecionar um gene essencial para a sobrevivência de D. citri, a subunidade A da V-ATPase e produzir plantas transgênicas de laranja doce expressando um hairpin (RNA de dupla fita) da V-ATPase-A, visando controle do psilídeo.
A bióloga e autora da pesquisa, Tatiane Loureiro da Silva, conta que, com base em artigos publicados demonstrando o potencial do mecanismo de RNAi no silenciamento de genes essencias em insetos considerados pragas para a agricultura, surgiu a ideia de produzir plantas transgênicas de laranja doce expressando um fragmento de um gene essencial para o psilídeo Diaphorina citri.
– Dessa forma, o silenciamento gênico por RNA de interferência seria ativado no psilídeo quando este for submetido à alimentação nas plantas transgênicas – explica Tatiane.
O trabalho teve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O estudo foi desenvolvido no Laboratório de Biotecnologia de Plantas Hortícolas, do Departamento de Produção Vegetal da Esalq, em colaboração com o pesquisador Ricardo Harakava, do Instituto Biológico de São Paulo.
Trabalho pioneiro
O estudo confirmou 65 plantas transgênicas, sendo 26 plantas de laranja ‘Hamlin’ e 39 de laranja ‘Valência’. Parte destas plantas já foi analisada, comprovando estarem processando o dsRNA da V-ATPase-A em siRNA (pequenos RNAs interferentes), os quais são intermediários na via de silenciamento gênico por RNA de interferência.
– Caso seja comprovado, por meio de trabalhos posteriores, que ninfas de D. citri apresentem diminuição da expressão do RNAm da V-ATPase-A e registrem menor sobrevivência ao se alimentarem em plantas transgênicas de laranja doce expressando o dsRNA da V-ATPase-A, sem dúvida, esta será uma nova alternativa para o manejo do huanglongbing, por intermédio da diminuição da população do psilídeo, vetor das bactérias associadas ao HLB – destaca Tatiane.
O orientador da pesquisa reforça que este é um trabalho pioneiro.
– Até o momento, não são relatados dados na literatura científica sobre transgenia em citros visando o controle de insetos vetores de patógenos com base no mecanismo de RNAi. A maioria dos estudos relacionados à transformação genética em citros para resistência a doenças visam o controle dos seus respectivos agentes causais (ou patógenos), e não o controle dos vetores destes patógenos – descreve Mourão, lembrando que o Brasil é o maior produtor de laranja doce no mundo.