
A Comissão Europeia apresentou nesta terça-feira (7) um plano para reduzir a dependência da União Europeia de proteínas vegetais importadas, com foco especial na soja, e ampliar a produção doméstica de oleaginosas e culturas proteicas destinadas à alimentação animal. A meta é elevar, até 2035, de 25% para 35% a participação de oleaginosas e proteínas para ração produzidas dentro do bloco.
Segundo a comissão, a medida faz parte da estratégia para reforçar a autonomia estratégica, a segurança alimentar e a resiliência das cadeias de abastecimento. O documento afirma que a dependência de poucos fornecedores externos transformou insumos agrícolas em uma vulnerabilidade geopolítica e expôs o sistema agroalimentar às oscilações do mercado global.
Atualmente, a União Europeia importa principalmente soja em grão e farelo de soja de países como Brasil, Estados Unidos e Argentina. Na temporada 2024/25, essas compras representaram cerca de 13,4 milhões de toneladas de proteína, produzidas em aproximadamente 13 milhões de hectares fora do bloco, principalmente nos Estados Unidos e no Brasil, além da Argentina no caso do farelo de soja.
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Apesar da proposta de ampliar a produção interna, a própria Comissão Europeia reconhece que a substituição das importações será limitada. De acordo com o documento, 74% dos insumos proteicos usados na alimentação animal são importados. No caso específico da proteína de soja, a dependência externa chega a 94%.
A estratégia também prevê diversificação na origem das importações. Nesse cenário, a Ucrânia aparece como parceiro prioritário. Segundo o relatório, o país produz 13,5 milhões de toneladas de proteína vegetal, com cerca de 60% desse volume destinado à exportação. A comissão avalia que uma futura adesão ucraniana ao bloco poderia reduzir o déficit europeu de proteína vegetal de 13,9 milhões para 4,7 milhões de toneladas e elevar o índice de autossuficiência de 76% para 86%.
Para ampliar a produção local, Bruxelas propõe apoio financeiro ao cultivo de leguminosas e soja, estímulos à rotação de culturas, investimentos em armazenamento, processamento e infraestrutura, além de instrumentos de gestão de risco.
O plano também prevê a criação de um indicador comum para acompanhar a autonomia proteica da União Europeia e reforçar o monitoramento dos mercados de cereais, oleaginosas e culturas proteicas. A comissão ainda recomenda que os países-membros fortaleçam políticas de incentivo à produção local e a integração entre agricultura e pecuária.
Fonte: Estadão Conteúdo