Agronegócio

Na Argentina, clima prejudica busca por gafanhotos pelo segundo dia

Insetos seguem em área de difícil acesso a cerca de 180 quilômetros da fronteira gaúcha, imobilizados pelo tempo frio

nuvem de gafanhotos
Foto: Governo da província de Córdoba

Pelo segundo dia consecutivo, nessa terça-feira, 7, os técnicos do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa) não conseguiram chegar até o local onde eles suspeitam que esteja pousada a nuvem de gafanhotos que desde junho circula pela província de Corrientes, na Argentina.

Desta vez, o mau tempo foi um obstáculo na região. Junto com o frio. As equipes da agência argentina acreditam que os insetos estão desde a última segunda-feira, 6,  em uma área cerca de 20 quilômetros ao norte da localidade de Zarza Rincón e a sudoeste da localidade de Perrugoria, dentro do território de Curuzu Quatiá (a cerca de 180 quilômetros de Uruguaiana).

A área tem diversos pontos onde só se consegue passar com caminhonete ou jipe e outras onde só se circula a cavalo. E há pontos onde simplesmente não dá para transitar (com banhados e vegetação mais fechada). Outro fator que dificulta a localização exata é o frio: não há nenhum gafanhoto no céu para assinalar o ponto onde estão. Por outro lado, baixas temperaturas também os mantem no mesmo local (embora não morram enquanto não chegar abaixo de zero grau).
As buscas devem prosseguir na região nessa quarta-feira (8).

Alerta segue no Rio Grande do Sul 

Apesar de estarem relativamente próximos da fronteira gaúcha, a atual situação do tempo (ventos e frio) na região inibe a vinda dos gafanhotos para o Brasil. Embora prossiga o alerta do lado de cá da fronteira.

No dia 25 de junho o Ministério da Agricultura brasileiro publicou uma portaria declarando emergência fitossanitária. O documento traçou diretrizes para o controle à praga, caso entre no País – inclusive relacionando produtos químicos ou biológicos para seu combate.

Ao mesmo tempo, o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) colocou aviões à disposição das autoridades – com as empresas da fronteira gaúcha contabilizando em torno de 50 aeronaves capazes de uma ação imediata. Além da frota do restante do Estado, que é de mais de 400 aparelhos. O sindicato aeroagrícola também promoveu encontros virtuais com entidades coirmãs da Argentina e Uruguai, além de ter reunido as entidades, em videoconferência, com autoridades brasileiras e dos dois países vizinhos.

O Sindag também elaborou o esboço de um plano permanente para controle da praga. O documento foi construído a partir dos planos da Argentina e da Agência das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). O trabalho foi coordenado por quatro agrônomos com doutorados em Biologia, Fisiologia, Entomologia e Tecnologias de Aplicação. O plano foi entregue ao Ministério da Agricultura, que o está avaliando.