'CAMISA 10' DA PECUÁRIA TROPICAL

Copa do Mundo: conheça a SimBrasil, raça que leva o país no nome

A raça que une genética europeia e zebuína foi criada para produzir carne e leite nas condições tropicais brasileiras

Foto: Divulgação.
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Enquanto milhões de brasileiros vestem verde e amarelo e acompanham a Copa do Mundo em 2026, outro “Brasil” também chama atenção por carregar o nome do país. Trata-se do SimBrasil, raça bovina desenvolvida para atender às condições da pecuária nacional e que transformou o clima tropical em uma de suas principais vantagens competitivas.

O nome não foi escolhido por acaso. Assim como a Seleção representa o país nos gramados, a raça nasceu da combinação entre genética europeia e zebuína para enfrentar os desafios da produção brasileira.

“O SimBrasil carrega o Brasil no próprio nome porque foi desenvolvida utilizando aquilo que temos de melhor na pecuária nacional. O país possui o melhor Zebu do mundo”, afirma Bernardo de Vasconcellos, diretor da SAEXI Agropecuária.

Genética pensada para o Brasil

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O desenvolvimento da raça começou em 1945, quando pesquisadores passaram a observar os excelentes resultados dos cruzamentos entre o Simental e animais zebuínos.

O objetivo era unir a produtividade característica da raça europeia à rusticidade do Zebu, reconhecido pela capacidade de produzir em ambientes de altas temperaturas. O trabalho evoluiu durante décadas e culminou no reconhecimento oficial da raça pelo Ministério da Agricultura em 1989.

“A necessidade que existia naquela época continua existindo hoje. O SimBrasil é uma raça sintética construída ao longo de muitas décadas de pesquisa e experiência no Brasil. São muitos anos de trabalho que resultaram em um material genético excepcional em produtividade”, aponta Vasconcellos. 

O diferencial está na adaptação

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Enquanto em outros países a raça equivalente ficou conhecida como Simbrah, formada principalmente pelo cruzamento entre Simental e Brahman, no Brasil, a seleção utilizou o elevado padrão genético das raças zebuínas nacionais. Segundo Vasconcellos, essa diferença ajudou a construir um material genético mais adaptado às condições brasileiras. 

“No Brasil, tivemos a oportunidade de desenvolver uma raça utilizando um material zebuíno reconhecido mundialmente pela sua qualidade. Aliado a isso, contamos com um Simental altamente adaptado às condições tropicais. O resultado é uma raça híbrida extremamente equilibrada e de altíssima qualidade”. 

Produtividade sem abrir mão da rusticidade

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Da genética do Simental vieram a fertilidade, a precocidade sexual, o ganho de peso e a habilidade materna. Do Zebu, herdou rusticidade, resistência aos ectoparasitas e maior capacidade de suportar o clima tropical.

Além da adaptação ao calor, outra característica destacada é a capacidade de produzir carne e leite simultaneamente. Para o diretor da SAEXI Agropecuária, esse equilíbrio diferencia o SimBrasil de outras opções disponíveis no mercado.

“Costumo dizer que, no SimBrasil, leite sempre tem. Essa é uma grande vantagem da raça. O bezerro vai ser sempre bem criado, mesmo quando é mais focado na produção de carne. E também, da mesma forma, você pode aplicar o conceito contrário. Nos programas que visam maior produção leiteira, carne também sempre tem”, destaca.

Essa versatilidade permite que a raça seja utilizada em diferentes sistemas de produção, tanto em cruzamentos industriais quanto na formação de rebanhos voltados para dupla aptidão.

Crescimento na pecuária brasileira

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Na avaliação de Vasconcellos, o SimBrasil deverá ganhar ainda mais espaço nos próximos anos, especialmente diante das condições climáticas enfrentadas pela pecuária nacional.

“Não tenho dúvidas de que o SimBrasil continuará ganhando espaço na pecuária brasileira nos próximos anos. Esse crescimento não ocorrerá apenas em função das altas temperaturas ou das mudanças climáticas. Muito antes de se discutir isso, o Brasil já era, em sua maior parte, um país tropical. Produzir nesses ambientes sempre representou um desafio, especialmente para as raças europeias puras”, afirma.

Segundo ele, a rusticidade da raça associada ao potencial produtivo representa uma vantagem competitiva para o produtor rural. “Trata-se de uma raça sintética completa, que apresenta resultados comprovadamente superiores a outras que nós temos no mercado”, finaliza.