
O dólar passou a cair no mercado à vista brasileiro na manhã desta quarta-feira (10), após a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos. Depois de abrir em alta com o aumento da aversão ao risco no exterior, a moeda recuou para R$ 5,1641 às 9h45, queda de 0,26%, após ter atingido máxima de R$ 5,1976, alta de 0,39%, logo no início dos negócios.
Os dados de inflação dos Estados Unidos mostraram desaceleração parcial em maio. O CPI cheio subiu 0,5% na comparação mensal, em linha com as projeções e abaixo dos 0,6% registrados em abril. Em 12 meses, o índice avançou 4,2%, acima dos 3,8% do mês anterior. Já o núcleo do CPI, que exclui itens mais voláteis, subiu 0,2% em maio, abaixo da expectativa de 0,3%. Em 12 meses, marcou 2,9%, em linha com o esperado.
Após a divulgação, a moeda norte-americana perdeu força no exterior e também ante o real. Antes disso, o mercado operava sob pressão da alta dos rendimentos dos Treasuries e do petróleo, em meio a novos relatos sobre a guerra entre Estados Unidos e Irã. O barril chegou a subir mais de 2% no início do dia.
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Para o agronegócio, o câmbio é uma variável central porque interfere diretamente na competitividade das exportações de soja, milho, café, açúcar, carnes e celulose, além de afetar o custo de fertilizantes, defensivos e outros insumos dolarizados. Quando o dólar recua, a receita em reais das vendas externas tende a perder sustentação, enquanto parte dos custos de importação pode aliviar.
No cenário doméstico, os investidores também acompanharam dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostraram avanço de 0,7% da produção industrial em abril ante março. Entre os destaques positivos ficaram Bahia, com alta de 3,0%, Ceará, com 2,3%, e Minas Gerais, com 2,1%.
O comportamento do câmbio ao longo do dia deve seguir condicionado à leitura do mercado sobre a inflação dos Estados Unidos, aos rendimentos dos títulos norte-americanos e ao noticiário geopolítico. Ainda não há, no material disponível, detalhamento setorial sobre reflexos imediatos nas negociações agropecuárias desta quarta-feira (10).
Fonte: Estadão Conteúdo