43 DIAS PRATICAMENTE SEM ÁGUA

Goiás registra 0,5 mm de chuva desde começo de março, diz levantamento

Segundo empresa que monitora áreas agrícolas a partir de análises de imagens de satélite, é o menor índice de precipitação em 30 anos

seca, falta de chuva
Foto: Pixabay

Praticamente não teve chuva nos últimos 43 dias em Goiás, no Centro-Oeste, que tem enfrentado uma das piores secas das últimas três décadas, com o volume acumulado abaixo de 0,5 milímetro desde o início de março. Este é o menor índice de precipitação registrado nos últimos 30 anos, informa a EarthDaily Agro, empresa que monitora áreas agrícolas a partir de análises de imagens de satélite.

Conforme comunicado da empresa, a seca persistente teve impacto significativo na agricultura. Nos últimos 30 dias, o volume de chuvas ficou 80%, ou mais, abaixo da média em grande parte do país, incluindo Goiás.

Essa redução drástica na precipitação é uma das principais razões da queda na estimativa de produtividade do milho safrinha. A EarthDaily Agro estima que a produtividade da segunda safra atinja 91,6 sacas por hectare, em comparação com 101,3 sacas/hectare na safra do ano passado. Nos últimos 30 dias, as chuvas acima da média foram registradas apenas em algumas partes do Sul e Nordeste, áreas que não influenciam a produção de milho safrinha, ressaltou a empresa.

Apesar da proximidade do início do inverno, as temperaturas registradas nos últimos dias têm ficado acima da média em diversas regiões do Brasil. “Verificamos que nos Estados do Sul, Mato Grosso do Sul e São Paulo, as temperaturas ficaram acima da média nos últimos 10 dias. No Rio Grande do Sul, o calor ajudou a diminuir a umidade do solo, permitindo a recuperação de áreas alagadas após as fortes chuvas no início de maio”, disse o analista de culturas da EarthDaily Agro, Felippe Reis.

Os modelos ECMWF (europeu) e GFS (americano) indicam precipitação abaixo da média para a maior parte do País nos próximos dias, com exceção de altas precipitações no Rio Grande do Sul e no oeste de Mato Grosso. Além disso, a previsão é de temperaturas acima da média, diminuindo o risco de geadas para o milho safrinha, especialmente no Paraná.

Na comparação entre os dados de 10 de junho de 2023 com os de 10 de junho de 2024, observa-se uma deterioração significativa no Índice de Vegetação da Diferença Normalizada (NDVI, na sigla em inglês). Embora em algumas regiões esse declínio possa ser atribuído ao plantio precoce (e consequente colheita adiantada), a produtividade do milho safrinha deve ser significativamente menor em comparação ao ano anterior.

Segundo a EarthDaily Agro, em Mato Grosso, a queda acentuada do NDVI não é preocupante, uma vez que o plantio precoce do milho safrinha limitou os danos da seca recente e a baixa precipitação vem favorecendo a colheita. Já em Mato Grosso do Sul, o aumento da umidade do solo no fim de maio não foi suficiente para uma recuperação completa das lavouras, com a seca retornando em junho.

No Paraná, a seca e o calor desde o fim de abril resultaram em uma forte queda do NDVI, indicando uma piora das condições das lavouras. No Rio Grande do Sul, apesar da seca recente que facilitou o início do plantio de trigo, a previsão indica alta precipitação para os próximos dias, o que pode dificultar as operações de campo.