
A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) estimou, neste sábado (6), que a produção global de combustível sustentável de aviação (SAF) deve alcançar 2,4 milhões de toneladas em 2026. Segundo a entidade, o volume representará 0,8% do consumo total de combustível da aviação comercial. A previsão também indica custo de US$ 4,3 bilhões para as companhias aéreas, em um cenário de oferta ainda limitada e preços acima do querosene de aviação (QAV).
Na avaliação da Iata, o SAF segue como a principal rota tecnológica para a descarbonização do transporte aéreo, mas a expansão da oferta continua abaixo do necessário. O diretor-geral da entidade, Willie Walsh, afirmou que 2026 tende a ser “mais um ano decepcionante para a produção de SAF” e associou o quadro a políticas públicas mal sequenciadas e à baixa participação das empresas petrolíferas.
A entidade também relacionou o cenário energético internacional, em meio à guerra no Oriente Médio, à necessidade de acelerar fontes renováveis. Segundo Walsh, ainda não houve a criação de incentivos suficientes para formar um mercado viável de SAF em escala global.
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Para o Brasil, a leitura da associação é de potencial estrutural de crescimento. A Iata estima que o país possa produzir cerca de 60 milhões de toneladas de SAF até 2050. A avaliação considera instrumentos já existentes ou em desenvolvimento, como a Política Nacional de Transição Energética, o Programa de Aceleração da Transição Energética, o RenovaBio e a Lei do Combustível do Futuro.
Do ponto de vista do agro e da bioenergia, a expansão desse mercado pode abrir espaço para maior demanda por matérias-primas renováveis e para novos investimentos industriais ligados à cadeia de biocombustíveis. Esse avanço, porém, depende de escala produtiva, previsibilidade regulatória e competitividade de custos. A Iata não detalhou, no material divulgado, quais rotas tecnológicas ou insumos responderiam pela maior parte desse potencial brasileiro.
A projeção da Iata indica que o SAF seguirá com participação limitada na matriz da aviação em 2026, apesar do avanço esperado na produção. Para o Brasil, o potencial apontado pela entidade depende da consolidação do marco regulatório, da ampliação da oferta e da definição de condições econômicas que sustentem produção e exportação em escala.
Fonte: Estadão Conteúdo