
A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) manifestou preocupação com a possibilidade de novas tarifas sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.
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Segundo a entidade, a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma tarifa adicional de 25% pode comprometer a competitividade da indústria nacional de madeira processada e afetar empregos, produção e exportações.
De acordo com a associação, a medida ainda não é definitiva e precisará passar por etapas previstas na legislação norte-americana, como consulta pública e audiência pública, antes de uma eventual implementação. Mesmo assim, o anúncio já provocou apreensão no setor.
Setor ainda se recupera de tarifas anteriores
Segundo a Abimci, a indústria ainda enfrenta os reflexos das tarifas impostas pelos Estados Unidos no ano passado, quando alguns produtos brasileiros passaram a ser tributados em até 50%.
A entidade afirma que, após meses de retração da atividade, redução da produção, demissões e insegurança comercial, as empresas começaram a recuperar gradualmente espaço no mercado norte-americano. No entanto, a possibilidade de uma nova sobretaxa pode interromper esse processo de recuperação.
Os Estados Unidos são o principal mercado para a indústria brasileira de madeira processada. Em 2025, as exportações do setor para o país somaram cerca de US$ 1,2 bilhão.
Segundo a Abimci, aproximadamente 50% de todas as exportações brasileiras de madeira processada têm como destino o mercado norte-americano, tornando o setor altamente dependente da demanda dos Estados Unidos.
A associação destaca ainda que a cadeia produtiva emprega cerca de 180 mil trabalhadores diretamente e concentra aproximadamente 90% de sua capacidade industrial na Região Sul, especialmente em pequenos e médios municípios.
Na avaliação da entidade, além do impacto direto das novas tarifas, outro fator de preocupação é a possibilidade de concorrentes internacionais enfrentarem custos tarifários menores, ampliando a perda de competitividade dos produtos brasileiros.
Para a Abimci, esse cenário pode reduzir a participação do Brasil no mercado norte-americano justamente em um momento de retomada das exportações.
Defesa será apresentada em Washington
Após a divulgação do relatório final da investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301, a Abimci informou que intensificou a defesa institucional do setor.
A associação protocolou manifestação junto às autoridades norte-americanas destacando que a indústria brasileira utiliza principalmente florestas plantadas como fonte de matéria-prima, adota práticas de manejo sustentável e mantém sistemas de controle, rastreabilidade e conformidade com a legislação ambiental brasileira.
A entidade também argumenta que os produtos brasileiros complementam a produção dos Estados Unidos, sem representar concorrência direta, e que sua substituição por fornecedores de outros países não seria simples.
Além da defesa coordenada pela Abimci, representantes dos segmentos de portas, compensados, molduras, pisos e madeira serrada também encaminharam manifestações ao USTR.
A associação informou ainda que participará presencialmente da audiência pública promovida pelo órgão norte-americano, nos dias 6 e 7 de julho, em Washington, onde apresentará os argumentos da indústria brasileira.
Negociações
No posicionamento divulgado, a Abimci pede que o governo brasileiro intensifique as negociações diplomáticas e comerciais com os Estados Unidos para evitar a adoção das novas tarifas.
Segundo a entidade, a prioridade deve ser preservar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano, garantir condições tarifárias isonômicas e evitar novos impactos sobre a produção, as exportações e o emprego na indústria de madeira processada.