
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (2) que espera um telefonema do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para esclarecer a proposta do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) de aplicar tarifa geral de 25% sobre produtos brasileiros. A medida está em consulta e poderá entrar em vigor até 15 de julho, após audiência pública prevista para 6 de julho.
Segundo o governo dos Estados Unidos, a proposta decorre de investigação sobre práticas adotadas pelo Brasil que, na avaliação norte-americana, oneram ou restringem o comércio daquele país. Entre os temas listados estão Pix, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.
Durante cerimônia em Catalão, em Goiás, Lula declarou que o entendimento entre os dois países previa prazo de 30 dias para negociação até 15 de julho. O presidente afirmou ter apresentado propostas relacionadas a minerais críticos, terras raras, combate ao crime organizado e ampliação das relações comerciais.
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Para o setor agropecuário, o ponto de maior aderência imediata é a inclusão do etanol entre os temas da investigação. O biocombustível integra a cadeia sucroenergética brasileira e qualquer alteração tarifária ou comercial pode afetar fluxo de exportações, competitividade e negociação bilateral. O texto disponível, no entanto, não detalha quais produtos agropecuários ou agroindustriais seriam atingidos pela tarifa de 25%, nem apresenta estimativa oficial de volume, valor financeiro ou impacto por cadeia produtiva.
A menção ao desmatamento ilegal também mantém o tema ambiental no centro da discussão comercial. Esse tipo de questionamento pode influenciar exigências regulatórias e de rastreabilidade em mercados compradores, especialmente quando associado a medidas de comércio exterior.
Até o momento, a medida ainda está em fase procedimental. A audiência marcada para domingo (6) deve anteceder a decisão final do USTR sobre a entrada em vigor das tarifas.
Sem a lista final de produtos alcançados e sem detalhamento oficial por setor, ainda não é possível mensurar o efeito prático sobre exportadores brasileiros. O acompanhamento da audiência pública e da decisão prevista até 15 de julho será decisivo para avaliar eventuais reflexos sobre o etanol e outras cadeias exportadoras.
Fonte: Estadão Conteúdo