
Os juros futuros brasileiros avançaram nesta sexta-feira (5) após a divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos, o payroll, acima das estimativas do mercado. Com o movimento, a precificação majoritária passou a indicar manutenção da taxa Selic em 14,50% ao ano na reunião de junho do Comitê de Política Monetária (Copom). Segundo os dados de mercado informados, a probabilidade implícita de estabilidade chegou a 68%.
Nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), os vértices intermediários e longos renovaram máximas e atingiram os maiores níveis desde março e abril de 2025, respectivamente. O DI para janeiro de 2027 subiu de 14,295% no ajuste de quarta-feira (4) para 14,43%. O contrato para janeiro de 2029 avançou de 14,427% para 14,81%, enquanto o DI para janeiro de 2031 passou de 14,409% para 14,71%.
O movimento ganhou força após os Estados Unidos criarem 172 mil empregos em maio, acima do teto das estimativas de 125 mil vagas e da mediana de 85 mil. Com isso, o mercado aumentou a chance de alta de juros pelo Federal Reserve (Fed) em setembro, de 23,2% para 38,4%, embora a aposta predominante ainda siga em manutenção.
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No Brasil, o economista Carlos Lopes, do banco BV, afirmou que o payroll funcionou como gatilho adicional para pressionar a curva de juros e reduzir as apostas de corte da Selic na próxima reunião. Segundo ele, a curva passou a embutir apenas 8 pontos-base de queda no encontro de 18 de junho, o que corresponde a 68% de chance de manutenção e 32% de probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual.
Além do dado externo, o mercado também considera a deterioração das expectativas de inflação, a desvalorização do real e o ambiente de incerteza doméstica. O Bank of America revisou suas projeções e passou a prever taxa básica de 14,25% no fim de 2026, ante 13,25% anteriormente, e de 13,25% no fim de 2027, acima da estimativa anterior de 12,50%.
Para o setor agropecuário, a manutenção de juros em nível elevado prolonga o custo financeiro de operações de crédito, capital de giro e investimento. Ainda assim, o efeito sobre o campo dependerá da decisão do Copom em junho e da sinalização oficial do Banco Central, já que o mercado segue ajustando expectativas com base em inflação, câmbio e cenário internacional.
Fonte: Estadão Conteúdo