
A Pesquisa de Estabilidade Financeira (PEF) do Banco Central (BC), divulgada nesta quarta-feira (3), mostrou que o risco fiscal segue como a principal preocupação das instituições financeiras para a estabilidade financeira, mas perdeu participação entre fevereiro e maio. A proporção de entrevistados que apontou esse fator como o mais relevante caiu de 37% para 27%. No mesmo período, aumentou de 15% para 24% a parcela das instituições que passou a destacar o cenário internacional como principal ameaça.
Segundo o levantamento, a preocupação com o risco fiscal já vinha em recuo desde novembro de 2025, quando atingia 42%. Em maio de 2026, o indicador ficou 15 pontos percentuais abaixo daquele nível. Ao mesmo tempo, o cenário internacional ganhou espaço nas respostas, avançando 14 pontos percentuais entre novembro e maio.
As demais percepções oscilaram em menor intensidade. As menções à inadimplência e à atividade econômica recuaram de 24% para 21%. A categoria de demais riscos caiu de 16% para 12%. Já o risco operacional subiu de 8% para 12%, enquanto a inflação doméstica passou de 1% para 3%.
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No relatório que acompanha a pesquisa, o BC informou que as instituições financeiras veem acúmulo de riscos para os próximos três anos em frentes como o alto endividamento em ambiente de juros elevados, o aumento da inadimplência e das recuperações judiciais de empresas, além das incertezas externas ligadas à guerra no Oriente Médio e aos efeitos desse quadro sobre a inflação no Brasil.
A autoridade monetária também destacou preocupações com o crescimento da dívida pública, a persistência do déficit primário e os reflexos desse cenário sobre a curva de juros. Para setores dependentes de financiamento, como o agronegócio, esse ambiente é um parâmetro relevante para custo de capital, acesso a crédito e decisões de investimento, embora a pesquisa não detalhe impactos segmentados por atividade econômica.
Outro dado do relatório mostra que o índice de confiança no Sistema Financeiro Nacional (SFN) caiu pela sexta leitura consecutiva, de 73,04 pontos em fevereiro para 71,79 pontos em maio.
O BC avaliou que a confiança no SFN segue em nível alto, apesar da nova queda marginal. A pesquisa indica estabilidade da alavancagem de famílias e empresas em patamar elevado, o que mantém atenção sobre inadimplência e condições financeiras nos próximos trimestres. O relatório não apresenta recorte específico para o crédito ao setor agropecuário.
Fonte: Estadão Conteúdo