
Os contratos internacionais de petróleo fecharam em alta nesta segunda-feira (8), em meio à reação do mercado à troca de ataques entre Israel e Irã após dois meses de trégua. O contrato do WTI para julho, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), avançou 0,84%, para US$ 91,30 por barril. Já o Brent para agosto, na Intercontinental Exchange (ICE), subiu 1,25%, a US$ 94,25 por barril.
Durante a sessão, o petróleo chegou a atingir US$ 98 por barril no pico, depois de avançar quase 5% na madrugada, conforme aumentaram os temores sobre a oferta global. O foco do mercado esteve no Oriente Médio, especialmente na possibilidade de restrições de fluxo no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo.
No campo geopolítico, o Irã acusou os Estados Unidos de participação direta na ofensiva israelense e afirmou que Washington será responsabilizado por eventual agravamento regional. As hostilidades levaram à suspensão das operações nos principais aeroportos de Teerã. Do lado israelense, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu informou pausa nos ataques, mas declarou que o conflito não terminou.
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Além do fator geopolítico, o mercado também acompanhou a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) de elevar a produção em cerca de 188 mil barris por dia em julho, no quarto aumento mensal consecutivo. Ainda assim, a percepção de risco de oferta prevaleceu sobre o ajuste de produção.
A Fitch Ratings revisou de neutra para positiva a perspectiva global do setor de petróleo e gás em 2026 e passou a projetar o Brent entre US$ 100 e US$ 110 por barril em junho e julho, considerando o fechamento do Estreito de Ormuz. Já analistas do Goldman Sachs estimaram que o choque nas tensões da região gerou destruição de demanda global entre 4 milhões e 5 milhões de barris por dia em abril, equivalente a uma queda de 4% a 5% no consumo mundial ante um cenário sem conflito.
Para o agronegócio, a alta do petróleo é um indicador relevante porque pode pressionar custos de diesel, transporte e energia. O efeito sobre combustíveis no mercado interno, porém, depende de fatores adicionais, como câmbio, política de preços e repasses ao longo da cadeia.
No curto prazo, a trajetória do petróleo deve seguir condicionada à evolução das tensões no Oriente Médio e à capacidade de manutenção da oferta global. Sem definição sobre a duração do conflito e sobre restrições efetivas de fluxo na região, o mercado tende a permanecer volátil.
Fonte: Estadão Conteúdo