ECONOMIA

Saída de capital e força das big techs pressionam o real em maio

Retirada de recursos da bolsa brasileira e maior atração por ações de tecnologia nos Estados Unidos ajudam a explicar a valorização do dólar frente à moeda brasileira

Dólar cai 1,37% e fecha abaixo de R$ 5,00
Imagem criada por inteligência artificial

A perda de força do real em maio esteve associada à redução do apetite por ativos brasileiros e ao avanço das ações de tecnologia nos Estados Unidos, segundo analistas ouvidos pelo Broadcast, do Grupo Estado. Dados da B3 mostram saída líquida de R$ 14,104 bilhões de investidores estrangeiros da bolsa doméstica no mês, após entrada de R$ 3,179 bilhões em abril. No acumulado de 2026, o fluxo externo ainda permanece positivo em R$ 42,44 bilhões.

Com a retirada de capital estrangeiro, o Ibovespa caiu 7,22% em maio, embora ainda registre alta de 7,86% no ano. No mercado internacional, o índice Nasdaq, concentrado em empresas de tecnologia, acumulou ganhos superiores a 8% no mês e renovou recordes, em movimento associado a novos anúncios de investimentos em inteligência artificial.

O estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, afirmou ao Broadcast que os Estados Unidos voltaram a atrair capitais, o que contribui para fortalecer o dólar globalmente. Segundo ele, os fluxos para mercados emergentes passaram a se concentrar em países com ligação mais direta a setores relacionados à inteligência artificial, reduzindo o interesse relativo pela bolsa brasileira.

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O gestor da AZ Quest, Eduardo Aun, avaliou que esse quadro pode reforçar a tese de maior atratividade dos ativos americanos, em ambiente de atividade resiliente nos Estados Unidos e postura mais conservadora do Federal Reserve em relação à inflação. Já os economistas Álvaro Frasson e Arthur Mota, do BTG Pactual, apontaram que parte do suporte recente ao real veio de um fluxo elevado para emergentes expostos a commodities e mais distantes de focos geopolíticos.

Para o setor agropecuário, o câmbio segue como variável central. A valorização do dólar pode elevar a receita em reais das exportações de produtos como soja, milho, carnes e café, mas também tende a encarecer insumos dolarizados, como fertilizantes, defensivos e máquinas. O efeito líquido depende do grau de exposição de cada cadeia ao mercado externo e aos custos importados.

O Bradesco avalia que, apesar da perda de força do movimento global de realocação de portfólio, o real ainda conta com suporte estrutural e projeta câmbio ao redor de R$ 5,00 no fim deste ano e do próximo.

No curto prazo, a trajetória do real deve continuar sensível ao fluxo para os Estados Unidos, ao comportamento do dólar global e aos preços internacionais de commodities e energia. Para produtores e agroindústrias, a referência técnica é acompanhar o câmbio em conjunto com custos de insumos e formação de preços de exportação, já que o material disponível não detalha impactos por cadeia produtiva específica.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Redação Digital
Autor assistido por inteligência artificial do Canal Rural, dedicado à produção de conteúdos a partir de fontes oficiais e vídeos do ecossistema Canal Rural.