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SP registra primeira variedade brasileira do limão caviar, fruta que pode atingir R$ 1,2 mil o quilo

Cultivar desenvolvida pelo Instituto Agronômico (IAC) é a única registrada no país e pode ampliar as oportunidades para produtores voltados a mercados especializados

Foto: Divulgação/Agência SP.
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O Estado de São Paulo passou a contar com a primeira variedade brasileira de limão caviar registrada no Registro Nacional de Cultivares (RNC). Desenvolvida pelo Instituto Agronômico (IAC), a cultivar Faustrime foi registrada em 2023 e deve chegar ao mercado ainda este ano.

Originário da Austrália, o limão caviar tem espaço na alta gastronomia e pode alcançar preços entre R$ 400 e R$ 1.200 o quilo, dependendo da oferta, da demanda e da qualidade do fruto.

Fruto tem polpa em forma de “pérolas”

Foto: Divulgação/Agência SP.
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Diferentemente dos limões convencionais, o limão caviar não concentra o suco em gomos. Sua polpa é formada por pequenas vesículas que lembram ovas de peixe, característica que deu origem ao nome da fruta.

“Ao contrário de outros citros, o caviar não possui suco, por isso sua destinação à alta gastronomia para finalização de receitas. Sua polpa tem pequenas vesículas que se parecem com o caviar e quando consumidas estouram na boca e liberam um sabor levemente ácido. As cores da casca e da polpa podem variar em tonalidades entre marrom, amarelo, rosa, verde e avermelhado”, explica a pesquisadora do Instituto Agronômico (IAC), Marinês Bastianel, em nota.

Conhecido internacionalmente como finger lime, ou “lima de dedo”, o fruto pertence à espécie Microcitrus australasica, da mesma família das frutas cítricas, embora seja diferente dos limões Siciliano e Tahiti, que pertencem ao gênero Citrus.

Gastronomia impulsiona demanda

O limão caviar vem sendo incorporado aos cardápios de restaurantes, principalmente na finalização de pratos. Para o sushi chef Allan Beckmann, do restaurante Satori Omakase, o ingrediente contribui para diferentes combinações gastronômicas.

“A textura dele, quase lúdica, dialoga naturalmente com preparos que valorizam pureza, contraste e precisão. Como no omakase, ele pode ser mais do que um acabamento bonito, torna-se um elemento de linguagem. Ao lado de um peixe branco, de uma vieira ou de um niguiri cuidadosamente montado, ele realça o sabor sem encobrir a identidade do ingrediente principal.”

Segundo o chef, o fruto amplia as possibilidades de composição dos pratos e atende à procura por ingredientes que combinam sabor, textura e apresentação.

Nova opção para os citricultores

Foto: Divulgação/Agência SP.
Foto: Divulgação/Agência SP.

O IAC avalia que a cultivar Faustrime pode abrir novas oportunidades para produtores brasileiros interessados em atender nichos de mercado.

A comercialização deve ter como foco as capitais brasileiras, enquanto, no mercado internacional, o consumo já ocorre em países da União Europeia, nos Estados Unidos e no Japão.

O material foi selecionado a partir do Banco de Germoplasma de Citros do Centro de Citricultura do IAC, em Cordeirópolis (SP), considerado o maior do mundo, com cerca de 1.700 materiais genéticos provenientes de diferentes países.

Segundo Marinês Bastianel, o limão caviar apresenta produção precoce e pode ser colhido a partir do segundo ano após o plantio. O maior potencial produtivo, porém, é alcançado a partir do quarto ano.

“As características das árvores são bem diferentes de outros citros e apresentam muitos espinhos nos pés, o que exige maior cuidado do produtor durante a colheita. As plantas possuem, ao longo do ano, múltiplas floradas resultando nos frutos”, afirma.

Pesquisa também mira o combate ao greening

Além do potencial comercial, o limão caviar tem despertado interesse em programas de melhoramento genético da citricultura.

Pesquisas realizadas em diferentes países indicam que espécies do gênero Microcitrus apresentam tolerância ao greening (HLB), doença que afeta pomares de citros.

“Vimos vários estudos em países que estão produzindo novas combinações de porta-enxerto que tenham tolerância ao HLB (greening). Nesse caso, o ideal é adotar um sistema que combine porta-enxerto e a copa da planta tolerantes à doença”, diz Marinês Bastianel.

Além da pesquisa desenvolvida pelo IAC, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo atua na certificação fitossanitária e no controle do trânsito vegetal por meio da Defesa Agropecuária, com ações voltadas à produção e à comercialização da cultura.