
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia já começou a gerar expectativa de aumento nas exportações brasileiras. Segundo o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, o Brasil pode ampliar em até US$ 1 bilhão as vendas para o bloco europeu nos próximos 12 meses apenas com os produtos que passaram a ter tarifa zero imediatamente após a entrada em vigor provisória do acordo, em 1º de maio.
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Em entrevista ao Canal Rural, Muller destacou que a abertura do mercado europeu representa uma oportunidade estratégica para o agronegócio brasileiro, principalmente em um momento de instabilidade nas relações comerciais globais.
Segundo ele, a União Europeia importa cerca de US$ 3 trilhões por ano, enquanto o Mercosul importa entre US$ 300 bilhões e US$ 350 bilhões, o que demonstra o potencial de expansão das exportações brasileiras para o continente europeu.
Müller afirmou que o agronegócio brasileiro deve ser um dos principais beneficiados pelo acordo, especialmente em segmentos que enfrentavam tarifas elevadas para entrar na Europa.
Entre os exemplos citados pelo presidente da ApexBrasil está a uva produzida no Vale do São Francisco, que antes pagava tarifa de 8% e agora passa a entrar no mercado europeu com imposto zerado.
Outro destaque é o mel brasileiro, cuja tarifa de exportação para a União Europeia era de 17% antes do acordo.
O setor de carnes também deve ser beneficiado. Segundo Muller, o acordo prevê uma cota de 99 mil toneladas para exportação de carne ao mercado europeu, distribuída entre os países do Mercosul. Produtos de maior valor agregado, como ovos processados, também passam a ter novas oportunidades de acesso ao bloco europeu.
Mais de 500 produtos têm potencial imediato
De acordo com a ApexBrasil, cerca de 5 mil produtos já tiveram redução tarifária prevista no acordo. Entre eles, 543 itens passaram a contar com tarifa zero imediata e foram classificados pela agência como os de maior potencial de crescimento no curto prazo.
A estimativa é que apenas esse grupo de produtos possa gerar US$ 1 bilhão adicional em exportações brasileiras ao longo dos próximos 12 meses.
Missão comercial na China
Durante a entrevista, o presidente da ApexBrasil também comentou sobre a missão comercial brasileira na China. Segundo ele, o país asiático segue sendo um parceiro estratégico para o Brasil e vive o melhor momento da relação bilateral com o agronegócio brasileiro.
Entre os avanços recentes, Müller citou a abertura do mercado chinês para produtos como uva e gergelim, além da habilitação de novas plantas exportadoras.
A missão brasileira inclui participação na principal feira do agronegócio da China, em Xangai, reuniões sobre abertura de mercados e seminários voltados à agricultura e sustentabilidade.
Segundo o presidente da ApexBrasil, a estratégia é ampliar a presença brasileira em mercados considerados prioritários, como China, Estados Unidos e União Europeia.