RETRAÇÃO

Comércio entre Brasil e EUA cai 12,8% e atinge menor participação nas exportações desde 1997

Levantamento da Amcham mostra retração nas exportações e importações entre os dois países, enquanto investigação da Seção 301 aumenta a pressão sobre a relação comercial

Empresa suspende aceitação de reservas de cargas para sete países do Oriente Médio
Foto: Wikimedia Commons

O comércio entre Brasil e Estados Unidos movimentou US$ 36,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, uma queda de 12,8% em relação ao mesmo período do ano passado. O recuo foi puxado tanto pela redução das exportações brasileiras quanto das importações provenientes do mercado norte-americano, segundo o Monitor do Comércio Brasil-EUA, divulgado nesta terça-feira (7) pela Amcham Brasil.

As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 17,4 bilhões, queda de 13% na comparação anual. Já as importações recuaram 12,5%, para US$ 19 bilhões.

Com esse desempenho, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu para 9,4%, o menor percentual registrado para um primeiro semestre desde o início da série histórica, em 1997. Na corrente de comércio total do Brasil, a fatia americana também atingiu o menor nível da série, com 11,1%.

Apesar da retração, os Estados Unidos seguem como o segundo maior parceiro comercial do Brasil em bens e permanecem como o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira.

Tarifas ampliam pressão sobre comércio bilateral

Na avaliação da Amcham, a queda ocorre em um momento de incerteza para a relação comercial entre os dois países, marcada pelas investigações conduzidas pelo governo norte-americano no âmbito da Seção 301.

“O primeiro semestre confirma que o comércio bilateral atravessa um período de forte pressão e reforça a necessidade de um acordo que evite a aplicação de novas tarifas”, afirmou o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto.

Segundo a entidade, caso novas sobretaxas sejam implementadas, o fluxo comercial poderá sofrer um impacto ainda maior.

O levantamento mostra que os produtos já sujeitos a tarifas adicionais responderam pela maior parte da retração das exportações brasileiras. Enquanto as vendas de bens sobretaxados caíram 16,6% no semestre, os produtos não atingidos pelas medidas registraram queda de 8,7%.

Entre os itens afetados, os produtos enquadrados na tarifa adicional de 10% tiveram redução de 25,9% nas exportações, enquanto aqueles abrangidos pela Seção 232 recuaram 6,7%.

Os maiores impactos foram observados nas vendas de produtos semiacabados de ferro e aço (-21,7%), caminhões (-46,7%), madeira (-40,5%) e cobre (-37,4%).

Junho interrompe sequência de quedas

Apesar do resultado negativo acumulado no semestre, junho trouxe um sinal de recuperação.

As exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 3,7% em relação ao mesmo mês de 2025, interrompendo uma sequência de dez meses consecutivos de retração.

O avanço foi impulsionado principalmente pelos produtos que não estão sujeitos às sobretaxas, cujas vendas aumentaram 35,8%, com destaque para aeronaves (+299,4%) e óleos combustíveis de petróleo (+89,3%).

Já os produtos atingidos pelas tarifas continuaram em queda, com retração de 17% no mês.

Indústria perde US$ 1,4 bilhão em exportações

O impacto foi mais intenso sobre a indústria de transformação. As exportações industriais brasileiras para os Estados Unidos recuaram de US$ 16 bilhões no primeiro semestre de 2025 para US$ 14,6 bilhões no mesmo período deste ano, uma perda de US$ 1,4 bilhão.

Mesmo assim, o setor respondeu por 83,9% de todas as exportações brasileiras destinadas ao mercado americano.

Entre os produtos industriais que registraram crescimento nas vendas estão aeronaves (+32,9%), equipamentos de engenharia civil (+23,8%) e máquinas para geração de energia elétrica (+16%).

Na direção oposta, apresentaram retração petróleo bruto (-30,4%), café não torrado (-34,8%), produtos semiacabados de ferro e aço (-21,7%) e celulose (-9,4%).

Negociação é apontada como caminho

A divulgação do estudo ocorre em meio às discussões sobre a investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

Durante audiência pública realizada em Washington na última segunda-feira (6), a Amcham defendeu que a negociação bilateral é a melhor alternativa para solucionar as divergências comerciais entre os dois países.

A entidade também argumentou que novas tarifas não prejudicariam apenas as exportações brasileiras, mas aumentariam custos para empresas e consumidores norte-americanos, reduzindo a competitividade das cadeias produtivas dos dois países.