Economia

Dólar opera em alta seguindo exterior e atinge R$ 5,62

A equipe econômica do Bradesco ressalta que o mercado reage com preocupação ao avanço da covid-19 na Europa após a França ter declarado emergência sanitária

dólar
Foto: Agência Brasil

O dólar comercial opera em alta frente ao real, tentando alcançar o nível de R$ 5,65, refletindo a forte aversão que prevalece no exterior enquanto as preocupações com o avanço da pandemia do novo coronavírus na Europa ganharam força. A falta de acordo no Congresso dos Estados Unidos para a aprovação de um novo pacote de estímulo fiscal no país eleva a cautela do mercado.

Às 10h03 (de Brasília), a moeda norte-americana operava em alta de 0,44% no mercado à vista, cotada a R$ 5,6280 para venda, enquanto o contrato para novembro subia 0,60%, a R$ 5,6300.

A equipe econômica do Bradesco ressalta que o mercado reage com preocupação ao avanço da covid-19 na Europa após a França ter declarado emergência sanitária no país diante o aumento do número de casos da doença. Portugal também declarou emergência sanitária e nas últimas semanas, Reino Unido e Espanha vêm adotando novas medidas restritivas.

O economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, destaca a cautela do mercado diante a segunda onda de contaminações por coronavírus na Europa com o fim do verão e a chamada por novos lockdowns. “O que contraria a perspectiva revisada da OMS [Organização Mundial de Saúde], a qual agora não mais recomenda o fechamento da economia como fez no início do ano”, observa.

Investidores também repercutem o comentário do secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, de que “será difícil” aprovar novos estímulos fiscais antes da eleição presidencial, em 3 de novembro.

Para Vieira, a ausência de um consenso entre democratas e republicanos para um plano de alívio renovado contra a crise desencadeada pela covid-19 expõe muito mais do que uma disputa eleitoral e por protagonismo do tema, mas a escalada que a divisão política trouxe em nível global.

“Os democratas insistem que o plano aceito pode ser até mesmo o dos republicanos. Entretanto, Nancy Pelosi [presidente da Câmara dos Representantes] quer o ‘protagonismo ou nada’, numa decisão quase monocrática e contrariando grande parte do seu partido”, acrescenta o economista da Infinity.