ENDIVIDAMENTO NO CAMPO

Inadimplência do crédito rural segue elevada e mais que dobra em um ano entre produtores

Dados do Banco Central mostram que atrasos acima de 90 dias permanecem em patamar historicamente elevado, enquanto operações com pessoas jurídicas continuam sob controle

Imagem gerada por  IA para o Canal Rural
Imagem gerada por IA para o Canal Rural

A inadimplência do crédito rural continua pressionando o setor agropecuário. Dados divulgados nesta quarta-feira (1) pelo Banco Central mostram que os índices permanecem elevados entre os produtores rurais pessoas físicas, enquanto as operações contratadas por pessoas jurídicas seguem com baixo nível de atraso.

Os números revelam que a inadimplência total das operações de crédito rural para pessoas físicas atingiu 2,6% em maio deste ano, considerando todas as modalidades de financiamento. Nas operações contratadas com taxas de mercado, o índice chegou a 13,4%, enquanto nas linhas com taxas reguladas ficou em 7,6%.

Entre as pessoas jurídicas, o cenário permanece mais favorável. A inadimplência total ficou em 0,8%, sendo 1,0% nas operações com taxas de mercado e 0,5% nas linhas reguladas.

Avanço da indimplência

Na comparação com maio de 2025, o principal movimento continua sendo o avanço da inadimplência entre os produtores rurais pessoas físicas.

Há um ano, a carteira de crédito rural apresentava índices significativamente menores. Ao longo dos últimos 12 meses, a deterioração da capacidade de pagamento dos produtores ocorreu em meio à combinação de juros elevados, margens pressionadas em diversas cadeias do agronegócio, eventos climáticos adversos e aumento do endividamento acumulado nas últimas safras. Esse movimento levou os indicadores de atraso para alguns dos maiores níveis da série histórica iniciada pelo Banco Central em 2011.

O avanço foi mais intenso nas operações com taxas de mercado, modalidade que concentra os maiores percentuais de inadimplência. Já as linhas com recursos regulados, vinculadas ao crédito oficial, também registraram crescimento dos atrasos, mas permanecem em patamar inferior.

Por outro lado, as operações contratadas por pessoas jurídicas continuam apresentando baixa inadimplência, abaixo de 1%, indicando maior estabilidade financeira entre empresas do setor e cooperativas.