
Os juros futuros negociados na B3 avançaram novamente nesta terça-feira (12), em meio à continuidade do conflito no Oriente Médio, à alta do petróleo e à piora na leitura dos núcleos de inflação no Brasil e nos Estados Unidos. Embora os índices cheios tenham vindo em linha com as expectativas, o mercado passou a exigir prêmio maior nos vencimentos intermediários e longos.
No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 passou de 14,108% para 14,115%. O DI para janeiro de 2029 subiu de 13,689% para 13,75%, enquanto o DI para janeiro de 2031 avançou de 13,763% para 13,815%.
O movimento ocorreu em um ambiente de maior aversão a risco. Com a falta de avanço nas negociações envolvendo Estados Unidos e Irã, os contratos futuros do petróleo subiram cerca de 4%. O barril do Brent para julho encerrou o dia em US$ 107,77, diante do temor de interrupções mais prolongadas no fluxo pelo Estreito de Ormuz.
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Segundo Igor Campos, gestor de renda fixa da Armor Capital, a curva foi pressionada pela avaliação de que o conflito pode se estender. Ele afirmou que a demora na reabertura de Ormuz reduz a oferta de petróleo e amplia a expectativa de preços mais altos à frente.
No campo inflacionário, o índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos (CPI) subiu 0,6% em abril frente a março e 3,8% em 12 meses. O núcleo avançou 0,4% no mês. Stephen Brown, economista-chefe para América do Norte da Capital Economics, disse que as pressões subjacentes seguem acima do nível considerado confortável.
No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou para 0,67% em abril, mas a média dos cinco núcleos subiu de 0,43% para 0,49% na margem. Para Roberto Secemski, economista-chefe para Brasil do Barclays, o resultado eleva o risco para a trajetória da taxa básica.
No fim da tarde, o mercado de opções digitais do Comitê de Política Monetária (Copom) atribuía 30% de probabilidade de manutenção da Selic em 14,50% na reunião de junho, ante 27% na segunda-feira (11). A taxa terminal de 2026 embutida na curva permaneceu próxima de 14%, sinalizando que o mercado ainda vê espaço limitado para cortes adicionais sem melhora no quadro inflacionário e geopolítico.
Fonte: Estadão Conteúdo