Economia

PIB do agronegócio sobe 0,36% em abril e registra a quarta alta consecutiva

Diante dos impactos da pandemia, esse foi o menor crescimento mensal registrado em 2020. Ainda assim, o aumento no acumulado do primeiro quadrimestre passou para 3,78%

plataforma para colheitadeira de milho
Foto: Indutar/divulgação

O PIB do agronegócio brasileiro seguiu em alta em abril, sendo o quarto mês de avanço consecutivo. De acordo com cálculos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP, realizados em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em abril, o crescimento foi de 0,36%.

Diante dos impactos da pandemia da Covid-19, esse foi o menor crescimento mensal registrado em 2020. Ainda assim, o aumento no acumulado do primeiro quadrimestre de 2020 passou para 3,78%. Entre os ramos do agronegócio, o agrícola teve pequena queda de 0,19% em abril, mas acumula avanço de 1,72% no ano. Já o pecuário cresceu 1,45% no mês e expressivos 8,01% no ano.

Segundo pesquisadores do Cepea, o segmento primário manteve o destaque em termos de crescimento, com alta de 2,21% em abril. Já a agroindústria, setor mais afetado pelas medidas relacionadas ao coronavírus, recuou 1,08% no mês.

“O excelente resultado do segmento primário agrícola, por sua vez, reflete os preços mais elevados na comparação entre os períodos e a expectativa de maior produção na safra atual. Já para o segmento primário pecuário, o resultado positivo reflete sobretudo os preços elevados em 2020, com destaque para boi gordo, suínos e ovos. Em partes, o elevado patamar dos preços pecuários nos primeiros meses de 2020 ainda refletiu um efeito inercial da forte elevação ao longo de 2019, relacionada à Peste Suína Africana. Destaca-se que, em abril, os preços pecuários, especificamente da suinocultura, da avicultura e do leite, foram pressionados por medidas de isolamento social estabelecidas pelos governos”, afirmou o instituto em nota oficial.

Agroindústria 

Quanto à agroindústria, o segmento foi pressionado pela queda no ramo agrícola. Sendo abril o primeiro mês marcado em sua totalidade pelos efeitos das medidas relacionadas à covid-19, houve forte queda de produção para atividades como móveis e produtos de madeira, biocombustíveis, têxteis, vestuário e bebidas.

Já a agroindústria de base pecuária, continuou crescendo em abril, sustentada pela indústria do abate. Segundo analistas do Cepea, em abril, a demanda doméstica por carne bovina manteve-se estável e as exportações mantiveram-se aquecidas, especialmente para a China. No caso das carnes suína e de frango, houve retração da demanda doméstica com o fechamento ou a redução de atividades de restaurantes e outros estabelecimentos de alimentação, mas as exportações também se mantiveram aquecidas.

Agroserviços 

O segmento de agroserviços também cresceu em abril, apesar da pandemia, acumulando elevação no quadrimestre. Esse resultado é explicado pelo fato de que não houve paralisação do agronegócio ou problema de distribuição e abastecimento de alimentos para os supermercados e a população brasileira, com registros de casos apenas pontuais, e pelos resultados excelentes em termos de exportações, com expansão importante dos volumes embarcados.