
A Raízen registrou prejuízo líquido de R$ 7,334 bilhões no quarto trimestre do ano-safra 2025/26, entre 1º de janeiro e 31 de março de 2026. O resultado representa alta de 191,8% sobre a perda de R$ 2,514 bilhões apurada no mesmo período da safra anterior. A receita líquida recuou 11,1%, para R$ 51,329 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado avançou 46%, para R$ 2,884 bilhões.
Segundo a companhia, a melhora do resultado operacional foi impulsionada pela expansão em todos os segmentos de negócios, com destaque para a distribuição de combustíveis no Brasil e na Argentina, com maior rentabilidade, crescimento de volumes comercializados e ganhos de eficiência operacional.
Apesar disso, o prejuízo líquido foi pressionado pelo aumento das despesas financeiras, em meio ao maior saldo da dívida e à elevação da taxa média do CDI, além do reconhecimento de provisões sem efeito caixa para não realização de determinados ativos e de despesas não recorrentes ligadas ao início do processo de recuperação extrajudicial.
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No acumulado do ano-safra 2025/26, a companhia apurou prejuízo líquido de R$ 27,135 bilhões, ante perda de R$ 4,177 bilhões na temporada anterior. A receita líquida caiu 11,5%, para R$ 225,849 bilhões, e o Ebitda ajustado recuou 2,3%, para R$ 11,273 bilhões.
A dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 58,229 bilhões, alta de 69,9% na comparação anual. A alavancagem passou de 3,2 vezes para 5,2 vezes em 12 meses. A empresa afirmou que o plano de recuperação extrajudicial, protocolado em junho com apoio de mais de 80% dos credores, prevê aumento de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell, conversão de 45% dos créditos reestruturados em participação acionária e refinanciamento dos 55% restantes por novos títulos de dívida.
Na operação agrícola e industrial, a Raízen processou 70,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no ano-safra 2025/26, queda de 9,8% ante 78,2 milhões de toneladas na temporada anterior. A produtividade da cana própria recuou 5,2%, para 72,9 toneladas por hectare, enquanto a produtividade agrícola caiu 5,8%, para 9,8 toneladas de ATR por hectare. O ATR ficou em 134,4 quilos por tonelada de cana, baixa de 1%.
A produção de açúcar somou 4,824 milhões de toneladas, recuo de 5,5%, e a de etanol caiu 17,9%, para 2,576 bilhões de litros. Já o etanol de segunda geração alcançou 120,2 milhões de litros. O mix de produção fechou a safra em 53% para açúcar e 47% para etanol.
A companhia atribuiu a menor moagem principalmente às condições climáticas adversas ao longo da safra, além de medidas de otimização de portfólio, como a venda de cerca de 2 milhões de toneladas de cana e a hibernação das usinas MB e Santa Elisa.
Fonte: Estadão Conteúdo