
A mediana do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2026 subiu de 13,25% para 13,50%, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (8). Há um mês, a estimativa era de 13,00%. O movimento ocorre em meio à revisão das apostas do mercado para a extensão do ciclo de afrouxamento monetário do Banco Central (BC), diante do aumento da incerteza externa e da alta do petróleo associada à guerra no Oriente Médio.
Considerando apenas as 52 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana para a Selic no fim de 2026 também avançou de 13,25% para 13,50%, sinalizando ajuste mais recente das expectativas. Para 2027, a estimativa intermediária subiu de 11,25% para 11,50%. No recorte das 51 previsões mais atualizadas, a mediana passou de 11,25% para 11,75%.
Para os horizontes mais longos, o relatório mostrou estabilidade. A projeção para o fim de 2028 permaneceu em 10,00% pela 20ª semana seguida. Para 2029, a mediana continuou em 10,00% pela quinta semana consecutiva.
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Neste ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central já reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual nas duas primeiras reuniões de 2026, levando a taxa para 14,50% ao ano. Na ata mais recente, o colegiado informou que a magnitude e a duração do ciclo de cortes dependerão de novas informações sobre o cenário internacional e seus efeitos sobre os preços.
O Copom também afirmou que mantém postura de cautela na condução da política monetária. Para o setor agropecuário, a trajetória dos juros é um indicador relevante porque influencia o custo de financiamentos, a rolagem de dívidas, as despesas com capital de giro e o ritmo de investimento em máquinas, armazenagem e tecnologia. Em cadeias mais dependentes de crédito, mudanças nas expectativas para a Selic também podem afetar o planejamento financeiro de produtores e agroindústrias.
No curto prazo, o mercado segue atento aos próximos comunicados do Banco Central e à evolução do conflito no Oriente Médio, fatores que podem alterar as projeções para inflação e juros. Sem novas sinalizações da autoridade monetária, a tendência implícita no Focus é de cortes mais graduais do que os estimados anteriormente.
Fonte: Estadão Conteúdo