LOGÍSTICA

USDA aponta gargalos logísticos para o agronegócio brasileiro

Relatório da representação do órgão em Brasília cita rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e armazenagem como entraves à competitividade do setor

Custos operacionais mantêm fretes agropecuários em patamar elevado
Imagem criada por inteligência artificial

Relatório da representação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Brasília afirma que o agronegócio brasileiro consolidou peso central na economia, mas enfrenta gargalos logísticos que limitam sua competitividade. Segundo o documento, o País lidera a produção e as exportações mundiais de soja, açúcar, café e suco de laranja, além de invadir posições de destaque em carnes, milho e algodão. Em 2025, o setor respondeu por 25% do Produto Interno Bruto (PIB) e por 48% das exportações brasileiras, de acordo com o escritório.

O relatório informa que a infraestrutura de transporte não acompanhou a expansão da produção. O Brasil tem cerca de 1,7 milhão de quilômetros de rodovias, mas apenas 216 mil quilômetros são pavimentados. Em 2023, 69% do transporte de grãos foi feito por rodovias, 22% por ferrovias e 9% por hidrovias.

Segundo o USDA em Brasília, a dependência do modal rodoviário eleva custos e reduz a eficiência logística, especialmente em longas distâncias. O documento cita que, em algumas regiões, o frete pode representar até 60% do valor da tonelada de milho e 25% do valor da tonelada de soja, com parte da produção percorrendo entre 1,5 mil e 2 mil quilômetros até portos do Sul e do Sudeste.

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O chamado Arco Norte aparece no relatório como alternativa para reduzir custos. A participação do corredor nas exportações de soja, milho e farelo de soja subiu de 12% em 2010 para 35% em 2024. Estudos citados pelo USDA apontam economia de US$ 7,82 por tonelada em embarques de Mato Grosso para a China quando a rota utiliza portos do Arco Norte em vez do Porto de Santos.

O documento também destaca avanço das hidrovias, que movimentaram 91 milhões de toneladas de produtos agrícolas em 2025, e cita estímulos a Terminais de Uso Privado (TUPs), responsáveis por quase dois terços das operações portuárias brasileiras. Nas ferrovias, o relatório menciona estimativa de R$ 140 bilhões em investimentos e projetos como Ferrovia do Mato Grosso, Nova Ferroeste, Ferrovia Norte-Sul e estudos da Ferrogrão.

Outro ponto citado é a armazenagem. A capacidade estática de grãos no Brasil é de cerca de 202 milhões de toneladas, volume suficiente para apenas 60% a 70% da produção nacional. Segundo o USDA, essa limitação obriga parte dos produtores a vender rapidamente ou usar caminhões como armazenamento temporário.

Na avaliação do USDA em Brasília, a competitividade futura do agronegócio brasileiro dependerá da ampliação da armazenagem, do fortalecimento de ferrovias e hidrovias, da modernização portuária, da expansão do crédito para infraestrutura e da simplificação regulatória. O relatório afirma que, sem esses avanços, os custos logísticos, estimados em cerca de 30% dos custos de produção, continuarão limitando o crescimento do setor.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Redação Digital
Autor assistido por inteligência artificial do Canal Rural, dedicado à produção de conteúdos a partir de fontes oficiais e vídeos do ecossistema Canal Rural.