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Veja como agroindústria está se prevenindo contra o avanço do coronavírus

A equipe do Canal Rural visitou uma unidade de processamento de carne de frango em Brasília e detalha todas as etapas de segurança para os funcionários

Enquanto muitas atividades econômicas aguardam permissão do governo para voltar a funcionar, as agroindústrias não tiveram um dia de descanso nesta pandemia. Mas com o vírus circulando, a rotina de trabalho mudou e a equipe de reportagem do Canal Rural foi até uma indústria de aves conhecer as medidas de precaução tomadas para garantir que todos os funcionários sigam trabalhando livres de qualquer contaminação.

Por fora, esta unidade em Brasília segue com a mesma aparência, mas por dentro as coisas estão bem diferentes. Por causa da pandemia, a empresa de processamento de carne de aves.

Para ter acesso à planta, a repórter Paola Cuenca e o cinegrafista Ayrton Xavier, passaram pelo processo de medição de temperatura e responderam a um questionário padrão. Além disso, a equipe teve que se higienizar com álcool em gel nas mãos.

Depois dessa primeira etapa, vem os processos de segurança necessários a todos os funcionários, independente do período da pandemia, como passagem por um pedilúvio com água sanitária, que deixa todos os sapatos higienizados.

Por fim, a equipe recebeu uniformes higienizados para serem usados nas dependências. Outro item obrigatório são os óculos e proteção auricular.

Assim que deixam os vestiários, uma equipe desinfeta os armários, bancos e chão com uma solução de água e cloro. Segundo a empresa, o processo é repetido a cada troca de turnos.

Nos corredores da indústria, é fácil encontrar dispenser com álcool em gel. Cartazes também lembram os funcionários dos hábitos de prevenção. Tanto é, que antes de entrar na área de alimentos, é preciso passar por mais higienização: as botas precisam ser esfregadas com sabão para não carregar contaminantes. Escovas giratórias finalizam a limpeza.

Por fim, é a vez de lavar as mãos. Com elas limpas, ainda é preciso receber alguns jatos de sanitizante para poder passar pela porta. Dentro da planta, é fácil perceber as adaptações. Além de utilizarem máscaras de tecido e luvas, na linha de produção os funcionários estão divididos em baias. Barreiras de plástico evitam a contaminação entre eles. quando não há espaço nas máquinas para a colocação das barreiras, os colaboradores utilizam máscaras de acrílico que reforçam a proteção.

“A gente tem um novo aprendizado. É uma maneira diferente de cumprimentar todo mundo, é um novo comportamento”, disse o controlador de abate, Marquiel José da Silva.

carne de frango, seara
Foto: Paola Cuenca/Canal Rural

Cuidados em todos os setores

Não pense que que esses cuidados são obrigatórios apenas para quem está em contato direto com os alimentos. Funcionários do setor administrativo passaram a usar os uniformes e equipamentos de proteção individual dentro dos escritórios e, nos intervalos, o cuidado não ganha folga, já que avisos nas cadeiras reforçam a necessidade de manter distanciamento. 

Cadeiras extras espalhadas pelo prédio foram pregadas ao chão com o espaçamento necessário para evitar contaminações. Para entrar no refeitório, basta aproximar o crachá da catraca, reforçar a higiene com um pouco de álcool em gel nas mãos e se servir.

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Foto: Paola Cuenca/Canal Rural

O distanciamento se mantém também neste ambiente e não é mais permitido se sentar de frente ou ao lado dos colegas. As marcações na mesa indicam o assentos a serem evitados.

O gerente-geral da unidade, Félix Faria, conta que barreiras de acrílico ainda serão instaladas nas mesas do refeitório para que os funcionários possam conversar com tranquilidade enquanto se alimentam.

“Como tudo é muito novo, nós estamos buscando no mercado tudo que há de melhor. Nas últimas três semanas, nós investimos mais de um R$ 1 milhão aqui na unidade de Brasília. A nossa última aquisição, inclusive, foi uma câmera termográfica corporal e nós estamos buscando no mercado, então como não tem uma fórmula pronta, nós estamos buscando tudo quanto é alternativa, onde tem disponível, e aplicando aqui na nossa unidade”, disse.

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Foto: Paola Cuenca/Canal Rural

Caso um funcionário se sinta mal ou tenha alguma alteração na temperatura medida logo na entrada, o calor no corpo pode ser analisado com mais precisão por essa câmera. A cor azul indica a temperatura considerada normal ou baixa. cores amarelas, laranjas ou vermelhas demandam atenção.

Um médico permanece na empresa para dar atendimento a quem precisar. Além disso, a empresa disponibiliza vacina contra a gripe de graça para os 2,2 mil colaboradores.

carne de frango, seara
Foto: Paola Cuenca/Canal Rural

Transporte

O transporte de funcionários também recebeu investimentos, conforme relata Félix. “Nós dobramos o número de veículos, nosso transporte é todo fretado. Hoje, o máximo de ocupação em cada carro são 20 pessoas. Dessa forma, a gente promove o desadensamento das pessoas e tem uma circulação de ar mais garantida”, disse.

A empresa está atenta às orientações do Ministério da Saúde e seguirá se adaptando. As ações são reconhecidas pelos próprios funcionários, como a operadora de produção Alzira Pereira da Silva Nunes. “Eu estou fazendo a minha parte, a minha família fica em casa. Eles ficam contente também, porque quando eu saio, eu falo: não precisa preocupar porque eles cuidam de mim”, disse.

“Eu me sinto orgulhosa, de verdade. Eu me sinto orgulhosa por estar levando a comida, o alimento pra casa. A gente faz muita exportação, mas é alimento e a gente precisa alimentar tanto o Brasil quanto o mundo. Então, assim, eu me sinto orgulhosa, me sinto orgulhosa”, completou a monitora Cristiane Santos de Lima.